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Postado (editado)

Fala pessoal,

Vou deixar aqui um relato de uma viagem que eu fiz para Vanuatu, Nova Zelândia e Austrália que aconteceu em 2013.

️ Essa viagem é parte de um livro / ebook que eu escrevi. Quem quiser mais detalhes dessa viagem e muitas outras, pode conferir no meu ebook Destino Vulcões, no amazon.com.br (link: https://a.co/d/agKaeNM). O livro está gratuito para o amazon unlimited, e no menor preço possível no site (5,99R$).

Resolvi postar o Capítulo III do livro, focando em Vanuatu, um destino mais incomum. Só pulei a parte da Austrália para o post não ficar longo demais e ninguém conseguir ler até o final.... E também porque o relato completo da Austrália está inteiramente grátis na amostra do e-book na Amazon. A amostra grátis cobre os primeiros 10% do livro (até Vanuatu), incluindo o início os capítulos introdutórios, onde conto como começou meu fascínio por vulcões ativos, falo um pouco sobre os diversos tipos de vulcões e de erupção, e explico as razões pelas quais escolhi os vulcões que visitei.

Instagram: www.instagram.com/destinovulcoes

Youtube: www.youtube.com/@destinovulcoes

Vanuatu, Nova Zelândia, Austrália, e os melhores vulcões da Oceania

Introdução – Como tudo começou

Em 2012, eu e minha esposa estávamos planejando ter filhos e queríamos fazer uma longa viagem antes desse grande passo. Depois de anos trabalhando, finalmente conseguimos tirar 30 dias de férias consecutivas em março de 2013. Sempre tivemos vontade de conhecer a Austrália. Além disso, tem uma grande amiga da minha esposa que estava morando em Sydney e que tinha acabado de ter uma filha. Era o momento perfeito para conhecer a Austrália, e lá fomos nós!

Já que iríamos gastar milhões de horas e $ nos voos São Paulo - Sydney, a ideia era aproveitar essa viagem para conhecer algum outro país praqueles lados do mundo. Nosso primeiro pensamento foi: já que estávamos na Austrália, por que não conhecer o Sudeste Asiático? A ideia inicial era ir para Austrália e depois para Tailândia, ali do lado.... Mas, quando fui pesquisar..., descobri que os voos de Sidney até Bangcoc duravam mais de 9h! Depois de atravessar o mundo até a Austrália, ainda teria que encarar mais 9h de voo. Nem pensar... Então eu fui pesquisar outro destino famoso por ali: Bali. Mas, adivinha? Mais de 6h de voo. Caramba, no War parecia tudo tão pertinho 🤣🤣🤣 . Sydney está no sudeste da Austrália, um país gigantesco, e fica bem longe de todo o Sudeste Asiático. Depois de pesquisar países bacanas com voos não tão longos de Sidney, escolhemos o segundo destino da nossa viagem: Nova Zelândia!

O próximo passo foi pesquisar bastante sobre Austrália e Nova Zelândia. A Austrália é um país caro, eu não queria gastar todos os meus dias e $ para conhecer todas as atrações australianas. Preferi escolher o que, na minha visão, seria mais imperdível, focando em Sydney e nas praias de Queensland. Da mesma forma, pesquisei os pontos de interesse na Nova Zelândia, focando nas belezas naturais e aventuras.

Uma vez definido nosso roteiro para Austrália e Nova Zelândia, ainda sobraram uns 4 dias e queríamos aproveitá-los para conhecer alguma ilha paradisíaca do Pacífico. As primeiras ilhas que vêm à cabeça são Taiti, Bora Bora, na Polinésia Francesa. E adivinha o tempo de voo de Sydney para o Taiti? Mais de 10 horas! E lá fui eu (de novo...) estudar o mapa.

As ilhas mais próximas a Sydney seriam Fiji, Nova Caledônia e Vanuatu. A única que eu já tinha ouvido falar bastante era Fiji, as outras, eu nem desconfiava que existia... Descobri que, assim como Fiji, Nova Caledônia e Vanuatu pareciam ter praias belíssimas. Então qual delas escolher? Tenho um livro de viagens (Ref. 12) que falava sobre Vanuatu, destacando não só as belíssimas praias, mas também o Monte Yasur, um vulcão ativo com erupções constantes!

Na época, era muito difícil achar informação sobre Vanuatu e Nova Caledônia, mas, quando li no TripAdvisor os relatos de turistas que foram ao Monte Yasur, eu tive certeza de que era lá que eu queria ir! Além disso, nesse meu livro falava que, em Vanuatu, de abril a junho, tinha um ritual de uma tribo, cujos índios subiam de uma torre de uns 20 a 30 metros de altura e se jogavam lá de cima amarrados apenas em um cipó de uns 20 a 30 metros. Que ideia esquisita, maluquice, sem noção.... Ou seja, do jeito que eu gosto! Não tive dúvidas, Vanuatu estava escolhida.

Detalhe: minha esposa havia parado de tomar anticoncepcional em janeiro. Com tudo planejado para a viagem (férias marcadas, passagens compradas, hotéis reservados), em fevereiro, para nossa surpresa, descobrimos que ela estava grávida. Achávamos que demoraria um pouco... Passado o susto inicial, embarcamos em março, com ela grávida de mais ou menos 8 semanas.

Resumo do Roteiro

Figura III1:  Roteiro na Austrália, Vanuatu e Nova Zelândia

image.png.211060f695f75df61ad512f859eef516.png

O roteiro escolhido foi:

Dia 1 e 2 ->São Paulo –> Sydney

Dia 3 -> Sydney

Dia 4 -> Sydney

Dia 5 -> Townsville

Dia 6 -> Townsville -> Airlie Beach

Dia 7 -> Whitehaven Beach

Dia 8 -> Grande Barreira de Corais

Dia 9 -> Australia Zoo

Dia 10 -> Rainbow Beach

Dia 11 -> Fraser Island

Dia 12 -> Noosa Beach

Dia 13 -> Gold Coast

Dia 14 -> Byron Bay

Dia 15 -> Brisbane ->Port Vila

Dia 16 -> Mt Yasur

Dia 17 -> Efate

Dia 18 -> Pentecost Island

Dia 19 -> Port Vila -> Auckland

Dia 20 -> Auckland

Dia 21 -> Waitomo

Dia 22 -> White Island e Rotorua

Dia 23 -> Waimangu e Wai-o-tapu

Dia 24 -> Taupo

Dia 25 -> Taupo -> Picton

Dia 26 -> Picton -> Fox glacier

Dia 27 -> Fox glacier

Dia 28 -> Queenstown

Dia 29 -> Milford Sounds

Dia 30 -> Queenstown

Dia 31 -> Queenstown -> Sidney

Dia 32 -> Sydney -> SP

Relato dia a dia

Obs: como eu falei anteriormente, focando em Vanuatu, pulei o relato da parte da Austrália, que está inteiramente grátis na amostra do livro/ ebook do amazon.com.br.

Dias 1 e 2 -> São Paulo –> Sydney

Dia 3 -> Sydney

Dia 4 -> Sydney

Dia 5 -> Townsville

Dia 6 -> Townsville -> Airlie Beach

Dia 7 -> Whitehaven Beach

Dia 8 -> Grande Barreira de Corais

Dia 9 -> Australia Zoo

Dia 10 -> Rainbow Beach

Dia 11 -> Fraser Island

Dia 12 -> Noosa Beach

Dia 13 -> Gold Coast

Dia 14 -> Byron Bay

Dia 15 -> Brisbane -> PortVila

Depois de 14 dias conhecendo a Austrália, era dia de conhecer um novo país. Pela manhã, pegamos um voo de Brisbane para Port Vila, a capital e maior cidade de Vanuatu. Os vanuatenses são majoritariamente de origem melanésia, apesar das ilhas sofrerem influências da polinésia francesa, britânica e chinesa. Pesquisando, descobri que Vanuatu foi uma colônia compartilhada por franceses e britânicos, eu nunca tinha ouvido falar de outro país nessa situação. Nos redutos britânicos, fala-se mais inglês, assim como, nos locais de influência maior francesa, fala-se francês. Fora isso, há dezenas de dialetos locais. Para que toda essa gente se entenda, o idioma comum é o bislama, que é uma hilariante versão rústica do inglês misturada com francês e línguas locais. Em muitos casos, o bislama nada mais é que o inglês escrito como se fala. Tipo: good afternoon = gud aftenun. Thank you very much = Tangkyu tumas.

Vanuatu é um arquipélago com 83 ilhas, possui pontos de mergulho incríveis, selvas, cavernas e aldeias cujo modo de vida ainda preserva sua antiga cultura. E, claro, vulcões! No entanto, muitas atrações são em ilhas diferentes, dificultando a logística. Além disso, os voos entre as ilhas não são baratos, e a Air Vanuatu não me pareceu, digamos, uma “referência em excelência aeronáutica”...

Port Vila, a principal cidade de Vanuatu, onde chegam os voos internacionais, fica na ilha Efate, que tem a melhor estrutura hoteleira. O interior da ilha é coberto por floresta tropical, com alguns rios e cachoeiras. A ilha onde está o Vulcão Monte Yasur chama-se Tanna, enquanto a ilha Pentecost é conhecida pela cerimônia indígena de Land Diving - mergulho no solo - da tribo N’gol. A maior ilha, chamada Santo, talvez tenha as praias mais bonitas do arquipélago. Em comum, todas as ilhas parecem ter belas praias, aldeias onde é possível conhecer melhor a cultura dos nativos melanésios, recifes repletos de peixes ideais para mergulhos e muitas lagoas azuis, especialmente em Efate e Santo. Por falta de tempo, escolhi conhecer apenas as ilhas de Efate, Tanna e Pentecost. Acabei não visitando a Ilha Ambrym, que abriga outros dois vulcões ativos, às vezes com lago de lava, porque na época não sabia desses vulcões.

Chegamos ao aeroporto de Port Vila por volta das 14h. Embora Vanuatu não exigisse visto, a fila da imigração demorou para caramba e passamos um calor infernal no saguão do aeroporto (que era bem menor do que imaginávamos, considerando que é o principal do país). De lá, pegamos um táxi oficial até o centro da cidade, e era um carro “véio pacas”. O aeroporto e o trajeto até o centro geralmente são a primeira impressão que o turista tem de um país, como um verdadeiro cartão de visitas. Geralmente, essas vias de acesso são bem cuidadas, com pistas largas e duas faixas, mesmo nos países mais pobres.... Mas, em Vanuatu, você já sai do aeroporto em uma área urbana com casas em condições bem precárias e, da porta do aeroporto até o centro da cidade, o táxi só pegou ruazinhas de mão dupla, esburacadas e muito malconservadas. A nossa primeira impressão ao chegar em Vanuatu foi um pouco “estranha”, para dizer o mínimo...

Com o atraso no aeroporto, chegamos no centro no anoitecer, só deu tempo de fechar com a agência de turismo da Air Vanuatu o tour para a cerimônia N’gol em Pentecost Island. O mais difícil foi convencer minha esposa a ir nesse tour, que ela achava uma péssima ideia...

No início da noite, demos uma voltinha rápida pelo centro da cidade e logo voltamos para o hostel para arrumar as malas. No dia seguinte, iríamos até a ilha de Tanna, onde fica o vulcão ativo Monte Yasur!

Dia 16 -> Monte Yasur

Era dia de conhecer o tão aguardado Monte Yasur. Na língua dos nativos, Yasur significa alguém “maior que os humanos”, como um “deus”. O vulcão tem um significado cultural e espiritual para as comunidades locais, acredita-se que seja a morada dos espíritos ancestrais e é considerado sagrado. Alguns afirmam que o Monte Yasur é o vulcão mais ativo do mundo em termos de frequência de erupções. Embora não se saiba ao certo há tempo ele está em erupção, sabe-se que pelo menos desde que foi visto pela primeira vez por europeus em 1774, pelo Capitão Cook (famoso navegador britânico que explorou as ilhas do Pacífico e Oceania no final dos anos 1700).

Nosso voo para a ilha de Tanna partiria logo pela manhã (7h). O terminal regional do aeroporto a “casinha” que servia para embarque e desembarque de voos regionais ficava ao lado do terminal internacional. Se o terminal internacional já era bastante modesto, imagina o regional... Quando estávamos esperando para o embarque, vimos um ratinho passando na esteira das malas no canto onde jogavam as malas dos passageiros antes de levar para o avião... Depois de um tempinho, nos chamaram para embarcar, e olha o “naipe” dos aviões que pegamos circulando pelas ilhas:

Figura III37: Avião para Tanna

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Figura III38: Avião para Pentecost

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Figura III39: Interior da Kombi aeronave

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Quando o cara fechava a porta do avião, ficava uns gaps tão grandes entre a porta e fuselagem que dava para botar uma mão inteira para fora do avião 🤣🤣🤣 . Fiquei pensando o que seria mais arriscado/emocionante, visitar um vulcão ativo ou voar naqueles aviões regionais da Air Vanuatu!

Enfim, lá fomos nós.... Mas depois que embarcamos, o piloto ficou um tempão para dar partida no motor. Parecia que o motor não ligava, ou não acelerava depois de ligado.... Não lembro ao certo, mas o avião não saia do lugar. O cara tentava dar partida, e nada! E ficamos lá por algum tempo. Detalhe: ou o teco-teco avião não tinha ar-condicionado, ou a ventilação não era suficiente para os passageiros que lotavam aquele aviãozinho.... Estávamos derretendo lá dentro! Até que o piloto, depois de uns 30 minutos tentando dar a partida, desiste e pede para nós desembarcarmos.

Fomos aguardar no aeroporto enquanto os mecânicos da Air Vanuatu iriam resolver o problema. O avião já era uma carroça, “pau-véio” do cão, e ainda estava com algum defeito... Que medo! Imagina a minha confiança na Air Vanuatu, salve-se quem puder... E não é que, depois da manutenção, o avião realmente ligou! No final das contas, chegamos sãos e salvos em Tanna, ufa...

Apesar do atraso no voo, ainda chegamos pela manhã em Tanna. Os passeios para o vulcão saiam no final da tarde, às 15h30, e retornavam por volta das 20h30. O objetivo é chegar no vulcão mais ou menos no entardecer, e pegar o anoitecer no vulcão, já que é durante a noite que o vulcão fica ainda mais impressionante. Como (1) iríamos passar o dia inteiro na ilha sem muita coisa para fazer, (2) era o lugar mais remoto da viagem e (3) também porque era só uma diária, o “mão de vaca” aqui resolveu tirar o escorpião do bolso e reservei um dos hotéis mais caros da ilha. A praia em frente ao hotel tinha pouca areia, mas era protegida, sem ondas, com alguns corais e com uma água clara bacana para mergulho. E a uns poucos metros, tinha outra praia com areia, também protegida e boa parte um snorkel. Aproveitamos o dia no hotel antes do passeio do vulcão.

Figura III40: Corais em frente ao hotel

Os passeios até o vulcão são oferecidos pelos próprios hotéis ou por agências locais que te buscam e deixam nos hotéis. E lá pelas 15h30, estávamos embarcando rumo ao Monte Yasur. Os carros eram 4x4 e o trajeto dura cerca de uma hora. Começa na região dos hotéis, passa pelo aeroporto e vila principal, uma parte da ilha bastante arborizada, vegetação de mata, e depois segue em direção ao vulcão, subindo e descendo alguns morros em estrada de terra.

O nosso guia tinha falado que a estrada era horrível, toda esburacada, mas eu não estava achando tão ruim. Para chegar num sitiozinho da família em Cunha, interior de SP, a estrada de chão era mil vezes pior... Após algum tempo, a paisagem muda. As árvores desaparecem, e o cenário agora é só cinzas. Não demora e, finalmente, chegamos ao local onde avistamos o Monte Yasur pela primeira vez! Apesar de não ser tão grande, são 361 metros de altitude e a borda da cratera no topo tem 400 metros de diâmetro, a primeira visão já é bem impactante.

Figura III41: Primeira vista do Monte Yasur

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O acesso ao topo do vulcão, na verdade, está na face do outro lado dessa foto. Seguimos viagem agora nesse terreno/cenário cinzento e inóspito. A estrada seguia tranquila, mas quando chegamos realmente próximos à área do vulcão, virou um off-road de verdade! O cara sofreu para atravessar alguns pontos com o carro. Mas foi só um pequeno trecho no final e, depois de vencidos os últimos quilômetros, o carro chega muito perto do acesso ao topo do vulcão. Veja nessa foto que eu tirei quase no final da subida a distância para os carros. Eu diria que gente sobe uns 500m caminhando e já estamos no topo do vulcão! A “proteção” da subida era toda essa que vocês viram: uma trilhazinha marcada com pedras e algumas estacas de madeira!

Figura III42: Subida até a borda da cratera

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O Monte Yasur é um vulcão estromboliano (ver capítulo II do livro), conhecidos por suas erupções pouco violentas, mas contínuas. É muito mais impressionante do que um “simples” vulcão ativo que apenas expele gases e fumaça. Vulcões estrombolianos se caracterizam por expelir frequentemente pequenos fragmentos de rocha quente, além dos gases, cinzas, fumaça e vapores. Depois descobri que o nome técnico destes fragmentos de rocha quente é “bomba vulcânica”. São rochas expelidas ainda em estado líquido, geralmente redondas ou ovais, que se solidificam ao entrar em contato com a terra. Dependendo da erupção, pode ser bem bonito.

Tudo isso na teoria, queria ver como seria na prática. Quando chegamos no topo do vulcão e pudemos ver o que estava acontecendo lá dentro.... De repente, vinha um barulhão, e..... Buuuuuuum!!!! Uma baita explosão, foi uma emoção fenomenal, simplesmente indescritível!!!

Figura III43: Monte Yasur (ainda de dia)

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Que loucura aventura testemunhar, tão de perto, um vulcão jorrando lava pelos ares! Difícil até explicar com palavras a sensação de estar lá. Acho que todos os turistas estavam extasiados por estarem tão perto de um vulcão como esse! Eu chutaria que estávamos a uns 50 metros dessa borda, onde tem a descida até o núcleo do vulcão... Sei lá a distância exata, parecia muito perto. Essa foto acima é sem zoom algum. Olha essa foto a seguir que eu tirei com essas pessoas na frente, dá para perceber como a gente ficava muito perto da borda dessa cratera principal do vulcão.

Figura III44: Turistas fascinados pelo Monte Yasur

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A “proteção” lá em cima? Adivinha?... Só essa meia dúzia de pedrinhas (bombas vulcânicas de todos os tamanhos) indicava o quão perto poderíamos chegar dessa borda.

Figura III45: Pedrinhas indicando distância “segura” da borda

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Imagino que eles demarcam de acordo com a atividade do vulcão, para ficar fora do alcance das bombas vulcânicas e prevenir escorregões. No entanto, acho difícil afirmar que seja 100% seguro ficar àquela distância da cratera.... De onde estávamos, não conseguíamos ver o núcleo principal, mas já vi fotos de alguns viajantes que conseguiram visualizá-lo; ele deve estar uns 250 metros abaixo do ponto onde ficamos. Acho que, em dias com atividade vulcânica mais fraca, é possível circular ao redor da cratera e observar o vulcão de outros pontos, chegar mais perto, mas, nesse dia, ele estava bem ativo e não deixaram.... Mesmo se pudesse, ninguém teria coragem de se aproximar! Eu diria que tivemos sorte, o vulcão não estava encoberto por nuvens e estava com muita atividade, espetacular!

Ainda sobre os protocolos de segurança do tour: equipamentos de proteção, capacetes, máscaras? Nem pensar. Passamos algumas horas respirando enxofre (o cheiro não era muito forte). Não tinha iluminação alguma, eu só tinha levado uma microlanterninha, e nosso guia emprestou uma lanterna para minha esposa, que estava grávida. Além disso, repararam nas fotos que algumas pessoas estão usando guarda-chuvas? Isso porque “chovia” cinzas vulcânicas o tempo todo, já que, além das bombas vulcânicas, o Monte Yasur estava sempre expelindo cinzas e fumaça.

EM TEMPO, atualização de 2023: em 2020, teve um maluco brasileiro que fez slackline nesse vulcão (@rafabridi, Ref. 7)! O vídeo saiu no Fantástico, eu também vi na internet, sensacional! Parece que atualmente os turistas têm que usar equipamentos de proteção completo, máscara, óculos etc. Parece que fizeram até uns corrimãozinhos até a borda do vulcão.

As erupções no Monte Yasur ocorriam em intervalos de minutos, muito irregulares, às vezes passava um ou dois minutos e já vinha outra explosão, às vezes esperávamos 15 minutos para a próxima erupção. Era possível perceber ainda que havia, pelo menos, três núcleos de onde partiam as explosões: dois um pouco menores, e outro que parecia o principal. Uma pena que eu ainda não tinha um drone para captar imagens aéreas.

O tour chega no vulcão no final da tarde. Passamos horas observando o vulcão, até anoitecer. E é à noite que a magia acontece! A lava incandescente, que já era bacana de dia, vai ficando cada vez mais vistosa! Assustadoramente vistosa!! Quando o céu ficou completamente escuro, cada erupção se transformou em um grandioso espetáculo de som e luz!!! Toda aquela lava explodindo com violência, deixando o céu laranja por instantes, e nós lá, pequeninhos... A sensação de estar diante dessa força da natureza, observando seu fogo e sua fúria de perto, transcende as palavras!!!! É difícil contar para vocês a sensação que senti. Memorável, extraordinário!!

Figura III46: É a noite que a magia acontece

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Figura III47: Noite mágica

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No canal do livro (youtube.com/@destinovulcoes, link para o QR Code), compartilhei cinco vídeos da erupções (Cap III2, Cap III3, Cap III4, Cap III5, Cap III6), de tarde até anoitecer, impressionante. Aumentem o volume!

Eu passei horas tentando descobrir o melhor ajuste para tirar uma boa foto. Levei um tripé bem meia-boca, e fiquei testando tempo de exposição, abertura e ISO, testes com foco manual, uso do timer para não tremer, testes com e sem flash. Além da minha falta de proficiência como fotógrafo, ainda tinha que enfrentar chuvas de cinzas na câmera/lente... O mais difícil era acertar uma foto conosco aparecendo em primeiro plano e o vulcão em erupção no fundo. A imprevisibilidade das erupções tornava tudo mais difícil. Às vezes o barulho da explosão vinha depois da lava, às vezes vinha antes, o que ajudava. Era necessário ajustar o timer, correr para a posição e depois ficar imóvel para evitar fotos tremidas. Além disso, ainda tinha que dar um pouco de sorte, já que as explosões normalmente são rápidas e, muitas vezes, a lava/rocha quente já tinha sumido antes de acabar o timer. Mas foi muito divertido para quem gosta de fotografia. Não foi fácil, mas, no final, conseguimos algumas fotos boas!

Figura III48: Monte Yasur (foto com exposição curta)

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Figura III49: Centésima tentativa de foto com erupção ao fundo

Figura III50: Milésima tentativa de foto (essa deu bom!)

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Outro dia, eu estava assistindo a um programa do Canal Off, chamado Além dos Limites com o Fernando Fernandes visitando o Vulcão Kilauea no Havaí (Ref. 8). Foi a primeira vez que eu ouvi falar da deusa Pele, a deusa do fogo na mitologia havaiana. Também conhecida pelo mau temperamento, ela vive no Vulcão Kilauea. Uma das lendas dizia que deusa Pele encantava os nativos, chamando-os para dançar e os atraindo para o vulcão. “Ni qui” (como diria um amigo mineiro contador de histórias...) o nativo ia se aproximando, encantado pela sua beleza... Já era, ele ia parar nas profundezas do Vulcão Kilauea!

Antes da viagem, a ideia de visitar um vulcão ativo me despertava muita curiosidade, e um pouco de medo do desconhecido. Chegando lá, a primeira sensação foi “uau”, impactante! Mas também um sentimento de respeito e medo.... Frases mais “clichês” de sentir a força da natureza se encaixam muito bem nesse caso! Mas, depois de um tempo, a gente começava a sentir uma estranha sensação de fascínio. Especialmente à noite! Eu ficava vendo aquelas explosões, mas, em vez de ficar com medo, ia ficando cada vez mais deslumbrado pelo vulcão. O espetáculo é tão bonito que a gente perde a noção do perigo! Me lembrou muito a história da deusa Pele encantando os nativos havaianos...

Foi um dia inesquecível! Mas mal sabíamos que a parte mais emocionante tinha ficado para o final... Depois de horas observando as explosões à noite, você fica meio hipnotizado. E, estranhamente, seu cérebro parece se acostumar, quase como se estivesse assistindo fogos de artifício da virada do ano... Até que, de repente, veio uma MASTER – HIPER – BLASTER explosão!!! Foi muito maior do que qualquer outra que havíamos visto, com muito mais lava, rochas quentes e um barulhão bem mais forte! Por sorte, eu estava com a câmera posicionada nesse momento exato:

Figura III51: Master hiper blaster explosão

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Ok, só por essa foto nem dá para perceber que essa explosão foi muito maior que as outras.... Precisava de uma foto de um ângulo mais aberto. Mas acreditem em mim, foi uma explosão muuuuuuuito maior!

Mas..., a minha alegria pela bela foto durou pouco..., muito pouco! Segundos, na verdade.... A explosão foi tão mais potente que as bombas vulcânicas expelidas estavam muito maiores e voaram muito mais altas que de costume. “Ni qui” eu olho para cima, percebo que uma enorme bomba fervente estava vindo bem na minha direção! Me lembro de olhar para cima e ver aquele pedação de rocha quente de, sei lá, uns 50 cm de diâmetro, subindo bastante e depois descendo bem na minha direção. Pqp, era como um meteoro vindo na minha direção!!! Não era uma rocha redonda perfeita, ela vinha meio líquida, ovalizando enquanto rotacionava, sei lá, parecia uma mega geleia vermelha.

Naquele momento, eu não conseguia parar de olhar para cima, observando a trajetória da mega bomba. Dei alguns passos para trás, mas parecia que a danada da bomba ainda estava indo bem na minha direção. Tentei dar uns passos para o lado, para o outro lado, para trás de novo, e a maldita bomba continuava vindo bem na minha direção!!! Parecia aquelas cenas dos clássicos desenhos do Pica-Pau, não importava o lado que eu ia, a bomba sempre “desviava” para minha direção. Tudo isso muito rápido, sei lá, durante uns 20-30 segundos eu tinha certeza de que tinha aquela mega bomba ovalada fervente estava vindo na minha cabeça! Imagina o pavor, não passava nem agulha.... Até que, em algum momento, pareceu que ela não estava vindo tão na minha direção assim e, alguns segundos depois, finalmente ela caiu a uns 30-40 metros de onde eu estava, no local com acesso permitido aos turistas!

Me lembro ainda que, logo após a explosão, eu olhei para o lado, e percebi que minha esposa (grávida!) tinha sumido. Só depois do susto, fui encontrá-la. Ela me contou que, no momento da explosão, sua primeira reação foi olhar para o guia. “Ni qui” ela olhou para o guia, viu que ele, mesmo sem enxergar nada naquela escuridão total, saiu correndo para longe! Imagina o desespero dela ao ver o guia, nativo, que está lá todo santo dia vendo o vulcão, sair correndo a milhão depois da explosão. Ela não teve dúvidas, saiu correndo também! Deu umas “trupicadas” naquele terreno cheio de pedras vulcânicas, mas não caiu, ainda bem que ela tinha aquela lanterna emprestada pelos guias. Foi muito tenso, todo mundo se borrou naquela explosão! Tivemos mais sorte que juízo...

Depois, um dos turistas foi até a mega bomba acender um cigarro. Hoje até me arrependo de não ter tirado uma foto daquele “meteoro”. Naquele momento, nosso grupo não pensou duas vezes: reunimos nosso guia, respiramos aliviados e voltamos para o hotel.

Segundo o guia, a escala de atividade vulcânica naquele dia estava entre os níveis 2 e 3, com algumas explosões nível 2 e outras nível 3. O site de Vanuatu que monitora a atividade vulcânica (Ref. 9) usa uma escala de 0 a 5. Não duvido nada que essa última tenha sido um nível 3+, ou até 4. Quando está acima de nível 3, não é permitido ficar na área que estávamos.

Essa foi uma experiência que vamos lembrar pelo resto da vida! Desde então, eu fiquei fascinado por vulcões ativos. Recentemente, assisti um vídeo do grande velejador brasileiro-ucraniano Aleixo Belov (Ref. 46). No contexto de uma travessia de veleiro pela passagem noroeste no Ártico canadense, ele disse: “Eu tenho sempre muito medo, tem gente que é corajoso. Eu sou covarde, sempre tenho muito medo. Mas o medo me atrai! Quanto mais medo eu tenho, mais eu meto a cara nas coisas, e vim parar nesse sufoco aqui, vamos ver se termina bem!”. Me identifiquei... No meu caso com os vulcões, parece que o medo me atrai também. Será que a deusa Pele me enfeitiçou? Desde então, tenho “metido a cara” em busca dos vulcões com lava. Comecei a pesquisar mais e planejar viagens para conhecer vulcões ativos mundo afora, o que mais tarde resultou neste livro.

Ainda assim, eu não sei se eu recomendo esse passeio. Chegar tão perto na borda da cratera de um vulcão ativo, especialmente de um vulcão estromboliano, é arriscado. É muito perigoso, eu mesmo passei por um belo susto.... Provavelmente, não existe passeio que chegue tão perto de um vulcão ativo e tenha um nível 100% de segurança, sem risco. Se vale o risco? Fica para cada viajante avaliar....

Se você decidir ir, quero deixar aqui algumas dicas de segurança importante para visitar vulcões estrombolianos: inicialmente, observe de longe e só se aproxime mais quando tiver certeza de que está a uma distância segura das bombas vulcânicas. A experiência de nativos pode ser muito valiosa, mas toda cautela é pouco, às vezes eles também são surpreendidos... Além da lanterna, um capacete seria útil, embora só proteja de bombas menores e com certeza não me protegeria daquela master bomba!

No caso de uma explosão repentina mais violenta, a reação natural é correr, como fez minha esposa, mas não é a melhor atitude. Descobri depois que, involuntariamente, eu segui a recomendação dos especialistas: olhar para cima, observar a direção das bombas e procurar se esquivar. Como eu tentei fazer, por mais assustador que tenha sido a sensação. É preciso ter calma para seguir esta estratégia, que pode ser um verdadeiro salva-vidas.

Contudo, há situações onde correr pode ser, sim, a melhor solução. Por exemplo, se a erupção lança um número tão grande de bombas que é impraticável esquivar-se. Nesse caso, a melhor solução é correr em busca de abrigo, seja atrás de um grande bloco, um carro, cobrindo a cabeça com mochila ou o que tiver ao alcance. Preferencialmente, planeje uma rota de fuga com antecedência.

Monte Yasur: #imperdível

Dia 17 -> Efate

Logo cedo, pegamos nosso voo das 8h30 de volta a Port Vila. Reservamos o dia para conhecer as principais atrações da ilha Efate, onde fica a capital Port Vila. São 120 km para dar a volta completa na ilha, por uma estrada asfaltada que não estava tão ruim assim, um trajeto de cerca de 2h. Pesquisei as principais atrações da ilha, e escolhemos focar nas “praias azul caribe”. As que pareciam mais bonitas eram a Eton Beach e Crystal Blue Lagoon Beach. Também tentaríamos conhecer a lagoa Blue Lagoon (não confundir com a praia Crystal Blue Lagoon Beach). Esses três pontos ficam a sudoeste de Port Vila, uns 30-45 minutos de carro. E depois iríamos contornar a ilha completa, fazendo algumas paradas para fotos. Embora existam agências que oferecem tours ao redor da ilha, preferimos alugar um carro. Em Efate, a maioria das praias é paga, com entradas que custavam entre 2-5 $AUS por pessoa.

O clima estava um pouco instável, com muitas nuvens. Apesar disso, pela manhã, pegamos um clima excelente na praia. Nossa primeira parada foi na praia Crystal Blue Lagoon Beach, aonde fizemos um excelente snorkel. Ainda tinha um restaurante, alguma estrutura de praia (cadeiras, barraca etc.) e um local que os proprietários criavam algumas tartarugas. Vi alguns reviews negativos no TripAdvisor, porque tem gente que vai lá esperando um “santuário” de tartarugas e acaba se decepcionando...  A parte do tanquezinho com dúzia de tartarugas não tem nada demais, mas a gente só estava em busca de uma praia bonita e encontramos um mar “azul caribe”, que ainda tinha alguma estrutura de guarda-sol, cadeira, restaurante, mas tudo bem natural. Enfim, nós adoramos a praia Crystal Blue Lagoon!

Figura III52: Crystal Blue Lagoon beach

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Figura III53: Crystal Blue Lagoon beach

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Depois do almoço, o tempo ficou um pouco mais nublado, com uma garoa fina. Seguimos viagem, mas não conseguimos encontrar a Blue Lagoon. Passamos pelo local onde deveria estar, mas não vimos nada, nenhuma entrada ou placa, não sei se a entrada estava fechada. Nossa próxima parada seria Eton beach, mas paramos por engano em outra praia que se que se chamava Emaal Lahkeh Nap Beach. A praia era pequeninha, mas bem bonita também. Estava garoando, talvez por isso não tinha ninguém quando chegamos.

Figura III54: Emaal Lahkeh Nap Beach

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Quando descobrimos que não estávamos na Eton Beach, seguimos viagem. E, pouco tempo depois, como 1 km seguindo a estrada, achamos a Eton Beach, que é muito bacana: água bem clarinha, bastante areia, tem um riozinho bonito que deságua lá e bons locais de snorkeling. Infelizmente, estava caindo uma chuvinha fina quando chegamos lá. Não chegou a estragar ou nos impedir de curtir a praia, mas as fotos da Eton beach não ficaram tão lindas como ficariam com sol.

Eton beach é geralmente apontada como a praia mais bela de Efate, mas, talvez por causa da garoa, achei “menos bonita” que a Crystal Blue Lagoon. E vale lembrar que Eton Beach tinha bem menos estrutura/restaurante que Crystal Blue Lagoon, praticamente não tinha nada quando eu fui.

Figura III55: Eton beach

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Figura III56: Riozinho na Eton Beach

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Depois da Eton beach, seguimos contornando toda a ilha. Passamos por belas paisagens e alguns mirantes e, quando retornamos a Port Vila, já estava anoitecendo, não deu tempo de conhecer mais nada. Mas o dia foi sensacional, valeu muito a pena conhecer as praias de Efate, belíssimas!

Praias de Efate: #imperdível

Dia 18 -> Pentecost Island

No nosso último dia “cheio” em Vanuatu, fomos conhecer a cerimônia de “Land Diving”. Não foi nada barato, pagamos cerca de 375 $AUS por pessoa, incluindo o voo até a Ilha Pentecost, saindo às 8h da manhã, entrada na cerimônia, almoço e um tempo na praia antes do retorno, por volta das 16h.

Chegamos cedo no aeroporto e pegamos mais um teco-teco da Air Vanuatu. Aliás, o aeroporto da Ilha de Pentecost é ainda menor que o de Tanna e do aeroporto regional de Port Vila... Não dá nem para chamar de “casinha”, eu diria que é uma garagenzinha 🤣🤣🤣 . Surpreendentemente, a pista lá ainda era asfaltada...

Chegando em Pentecost Island, fomos recebidos pelos nativos da tribo N´gol, a maioria vestido a caráter (ou seja, muito pouco vestidos 🤣🤣🤣 ). Fantástica a experiência de receber o carinho das crianças logo na chegada do aeroporto, muito animadas e receptivas.

Figura III57: Aeroporto em Pentecost Island

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Figura III58: Recepção calorosa

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Figura III59: Nativos N’gol

Depois de uma caminhada não muito longa em um trecho arborizado (ainda bem, porque estava um calor infernal), chegamos ao local onde é realizada a cerimônia/ritual de “Land Diving” – mergulho no solo. A cerimônia é para comemorar a colheita anual de um alimento chamado yam (em inglês, segundo o tradutor, seria inhame), e só ocorre de abril a junho no fim da época das chuvas. Os nativos N´gol sobem em uma torre, construída a cada ano com galhos de árvores entrelaçados, e se jogam de plataformas de 20 a 30 metros de altura, apenas com os pés amarrados a uma espécie de cipó/vinhas (em inglês, vine)!

Figura III60: Torre da cerimônia N’gol

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Este tipo de cipó/vinha é o único “equipamento de segurança” que eles usam, e adquire uma pequena “elasticidade” apenas após a época das chuvas. Mas o impacto / puxão que o cipó dá no sujeito que mergulha é impressionante! No começo, dá até uma sensação meio ruim, uma aflição. Você pensa: “nossa, deve doer para caramba!”. É estranho, meio chocante.... Mas depois, você vê que o pessoal se levanta “de boa”, celebra, que é algo bom para eles.

Existem várias lendas urbanas a respeito dessa cerimônia. Segundo os guias, na década de 70, a rainha da Inglaterra visitou Vanuatu e pediram à tribo que fizesse a cerimônia de land diving excepcionalmente fora da época correta (pós-chuva). Parece que o cipó não estava flexível o suficiente, o nativo se espatifou e acabou morrendo. Dizem eles que foi o único caso de morte da cerimônia.

A torre tem umas 10 plataformas de salto montadas. No começo da cerimônia, o pessoal começa a cantar, e alguns nativos, só homens, vão subindo de plataforma em plataforma e saltando. Nas fotos, reparem no terreno onde eles se esborracham no chão, parece que dão uma “afofada” na terra. Além disso, ajustam o tamanho do cipó para a altura de cada plataforma, de uma forma que o cara não se espatife direto no chão. O cipó se estica ao máximo a alguns centímetros do solo, antes do cara se arrebentar na terra, dando um belo puxão nos pés do saltador, que acaba caindo um pouco mais devagar em uma terra levemente “afofada”. Lembrando que esse ajuste é feito “nos zóio” mesmo, nada sofisticado.

A técnica de mergulho consiste em se jogar de cabeça e para frente, até o momento que o cipó estica, dá o baita puxão, e o mergulhador se esborracha na terra fofa. Diz a Wikipedia que o mergulhador pode chegar a 72 km/h! Depois que ele cai, a tribo se aproxima para acudi-lo, mas os mergulhadores sempre saíram andando sem problemas. Pelo menos nesse dia...

Figura III61: Sequência de um salto

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O ritual também é uma espécie de rito de passagem, “crescimento”, quando os meninos se tornam homens N´gol. Os primeiros saltos são feitos por meninos adolescentes (ou até crianças mesmo, de uns dez anos, talvez), que saltam das plataformas mais baixas da torre. Eu filmei o segundo salto. O menino, inexperiente, não pulou seguindo a “técnica” de pular cabeça, pulou meio de pé e, quando o cipó esticou, dez uma pirueta impressionante... Vejam a pirueta no vídeo Cap III7 (youtube.com/@destinovulcoes, link para o QR Code). Já nos vídeos Cap III8 e Cap III9, é possível ver a técnica tradicional de se jogar de cabeça e para a frente.

Eles também acreditam que os saltos melhoram a saúde dos mergulhadores, eventualmente curando doenças e aumentando a resistência física deles. Eles acreditam que, se tocarem o solo com os ombros ou com a cabeça, garantem a fertilidade (do solo, não do mergulhador...). Além disso, quanto mais alto ou à frente for o salto, maior será a fertilidade do solo. Durante toda a cerimônia, os homens e as mulheres da comunidade formam um círculo próximo à torre, entoando cânticos para incentivar os saltadores, muito legal.

Figura III62: Voando!

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Figura III63: Momento que o cipó esticou

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Vocês podem estar pensando que uma cerimônia para agradecer a colheita de alimento é algo relativamente “comum”. Muitos povos indígenas e civilizações antigas mundo afora têm rituais para isso. Mas de onde surgiu a “brilhante” ideia de agradecer mergulhando de uma torre, com cipós amarrados aos pés, para se esborrachar na terra?

Segundo os guias, esta ideia surgiu da história de uma antiga nativa N´gol. Após uma briga com o marido, ela fugiu pela floresta, possivelmente à noite, e se escondeu no alto de uma árvore bem alta típica da região (banyan, nome da árvore em inglês, algum tipo de figueira). Quando o marido a encontrou e subiu atrás dela, a nativa amarrou uns cipós nos pés e se jogou do alto da árvore! Amortecida pelo cipó, ela sobreviveu. Seu marido, que não percebeu a artimanha, saltou logo atrás e morreu....

Dizem que, no início, eram as mulheres da tribo que começaram a fazer essa cerimônia, saltando das árvores com os pés amarrados em cipós em homenagem à essa nativa. Mais tarde, os homens resolveram adotar a tradição, e começaram a saltar de torres construídas para esta finalidade. Diz a lenda que os homens passaram a fazer o “Land Diving” para não serem enganados novamente 🤣🤣🤣 .

Uma última curiosidade: vocês perceberam que a cerimônia lembra um pouco o bungee jumping? Seria “tipo” um bungee jumping “raiz”, né? E isso não é mera coincidência! O criador do bungee jumping (o bungee jumping “nutella”), A.J. Hackett, era neozelandês e desenvolveu a corda elástica utilizada nos saltos, inspirando-se nesta cerimônia que ele conheceu em Vanuatu!

O último salto é da plataforma mais alta, impressionante.

Figura III64: Último salto

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Salvei com no canal o vídeo desse salto, Cap III10, feito com a câmera de qualidade pior (youtube.com/@destinovulcoes, link para o QR Code).

Na época, não tinha conseguido muita informação a respeito dos Land Divers N´gol. Hoje eu sei que, procurando “Land Diving” na internet, tem mais informação. Segundo a Wikipedia, está no Guiness que a aceleração (força g) sofrida pelos índios no ponto que o cipó estica é a maior força g experimentada por humanos no “mundo não industrial”! Na Wikipedia tem mais informações a respeito (Ref. 10) e em 2023, o pessoal do veleiro Katoosh fez uns vídeos muito bacanas de Vanuatu (Ref. 44).

A cerimônia durou uma hora e pouco. Depois, fomos almoçar à beira-mar (almoço simples, mas bem servido), com tempo para trocar de roupa e aproveitar uma praia de Pentecoast Island, e voltarmos para Port Vila por volta das 16h30. O detalhe é que essa ilha era extremamente rústica mas, vejam só, até lá tinha propaganda de celular, em 2013 🤣🤣🤣 :

Figura III65: Propaganda de celular

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Claro que esse passeio tem um apelo turístico, mas para mim, foi uma das experiências mais autênticas da vida! Sei que muita gente pode não achar esse tipo de passeio tão interessante, cada viajante tem as suas preferências. Minha esposa, por exemplo, acha uma “ideia de jerico” pagar 375 $AUS para embarcar num teco-teco sem vergonha, passar muito calor e assistir a uns indígenas pulando de uma torre com um cipó amarrado nos pés, se espatifando na terra! Errada, ela não tá 🤣🤣🤣 . Mas, para mim, valeu cada centavo!

N’gol Land Diving: #imperdível

Dia 19 -> Port Vila -> Auckland

De manhã, demos mais uma voltinha pelo centro, conhecemos o mercado central e nos despedimos desse país maravilhoso, rumo à Nova Zelândia. A parte central de Port Vila, mais turística, era mais ajeitada que áreas mais periféricas, mas ainda era bem humilde. Se estivéssemos em um local similar no Brasil, por exemplo, teríamos certo receio quanto à segurança. No entanto, em Vanuatu, nos sentimos seguros o tempo todo, até mesmo passeando nas ruazinhas meio escuras à noite (a iluminação era bem meia-boca). E, mais do que isso, nos sentimos muito bem recebidos!

Claro, as coisas têm um ritmo próprio em Vanuatu. Não espere chegar num restaurante e ser atendido a jato, que a comida chegue muito rapidamente ou que as pessoas falem um inglês maravilhoso. Mas a receptividade e a alegria dos vanuatenses chamavam muito a atenção. Era impressionante como, até as pessoas com aparência mais humilde, estavam sempre sorridentes e alegres, fazendo tudo para te agradar e ajudar. Os vanuatenses pareciam verdadeiramente felizes com a nossa presença. Eles podem ter pouco, mas os sorrisos deles são os maiores do mundo. Passeando de carro pela cidade ou pelas vilas mais remotas do interior, quase todas as pessoas que cruzavam nosso caminho nos cumprimentavam e sorriam. Não importa onde você esteja, os vanuatenses se esforçam para te ajudar, te recebem com um sorriso e sempre terminam com um simpático “Tangkyou tumas” (muito obrigado em bislama)!

Não é à toa que você provavelmente nunca ouviu falar de Vanuatu. Com apenas 270 mil habitantes espalhados em 83 ilhas no remoto Pacífico Sul, fica longe de tudo, inclusive das dores e prazeres da vida moderna. Lá, a “simplicidade” combina perfeitamente com “felicidade”. Durante a nossa estadia, ninguém nunca pediu nada. Já visitei muitos países pobres, e até alguns países nem tão pobres da América Latina, onde você não consegue andar sem ser assediado. Acho que em Vanuatu as pessoas são felizes com o que têm, mesmo que seja muito pouco.

Fiquei sabendo que eles sempre “fazem bonito” em um ranking inglês chamado Happy planet index, que não leva em conta PIB, IDH, mas, sim, a felicidade das pessoas. Os vanuatenses já foram considerados o povo mais feliz do mundo, e faz todo sentido!

Vanuatu, definitivamente, conquistou nossos corações pelas belezas naturais e, principalmente, pelo povo incrível! Os poucos viajantes que eu conheço que foram para Vanuatu são unânimes: o povo é realmente fantástico. Vi esse conselho em um artigo (Ref. 11) e concordo 100%: não se fazem mais países como Vanuatu, e é exatamente por isso que você deve correr para lá antes que as coisas mudem!

Dia 20 -> Auckland

No dia anterior, chegamos meio tarde em Auckland e só tivemos tempo de chegar no hostel e descansar. Já descansados, aproveitamos o vigésimo dia para explorar o centro da cidade, que tem alguns prédios bacanas e é legal conhecer a pé. Uma das atrações que mais gostei foi a torre Sky Tower, que oferece belas vistas da cidade e da ilha vulcânica Rangitoto, localizada em frente a Auckland.

Na Sky Tower, você também encontra algumas atividades radicais. O skyjump é uma mistura de bungee jumping com “rapel rápido”: você salta do alto da torre e desce bem rápido, mas vai preso em uma corda que te guia. No momento em que estávamos lá, alguém estava descendo e passou bem na nossa frente. Outra atividade oferecida é o sky walk, onde você caminha amarrado por cabos de segurança na plataforma circular do alto da torre.

Figura III66: Vista da Sky Tower

Figura III67: Skyjump

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A subida na torre custava uns 25 $NZL, e essas outras atividades eram cobrados à parte, muito caro, acabamos não fazendo. “Pão-durei”, mas deve ser bacana. Na própria torre, tinha umas partes com chão de vidro, já dava certo friozinho na barriga, imagina descer a milhão...

Depois do almoço, fomos de carro até a ilha de Rangitoto, do outro lado da baía, que tem uma linda vista do centro de Auckland.

No final do dia, dirigimos para a cidade de Waitomo, onde iríamos pernoitar para conhecer os famosos Glow-worms e Waitomo Caves.

Figura III68: Skyline de Auckland, visto de Rangitoto

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Auckland: #valeapena

Dia 21 -> Waitomo

Glow-worms são insetos que emitem uma luz brilhante. De longe, podem lembrar vagalumes, mas, ao contrário dos vagalumes, os glow-worms ficam com a “luz acesa” o tempo todo, sem piscar. Além disso, os glow-worms são larvas de insetos que ficam presos nas paredes e nos tetos das cavernas, formando “fios” semelhantes às teias de aranha. Pelo brilho, eles atraem suas presas, principalmente outros insetos que, quando chegam perto, ficam presas nos fios, e está servido o almoço das glow-worms...

Os guias neozelandeses diziam que glow-worms só existiriam na Nova Zelândia, mas depois fui descobrir que também existem na Austrália. De qualquer forma, Waitomo é a melhor região para conhece-los, nas cavernas chamadas Waitomo Caves. Tinham pelo menos 3 agências de turismo que ofereciam excursões nas Waitomo Caves, com diferentes opções de passeios.

O carro-chefe do local (na época, uns 30 $NZL) incluía uma rápida caminhada e um mini passeio de bote observando os glow-worms em uma caverna já bem estruturada. Outras opções incluíam um boia-cross “tipo rafting” dentro das cavernas, e o passeio Black Abyss que, além do boia-cross, incluía um rapel e uma escalada em uma cachoeira. Estes dois passeios eram em cavernas mais naturais, com menos intervenção humana.

O Black Abyss me pareceu muito mais divertido: durava umas 5h e incluía caminhadas por cavernas “naturais” (sem iluminação ou passarelas) cheias de glow-worms, além de rapel e boia-cross. Pelo menos, esta era a minha expectativa quando resolvi gastar 198 $NZL.

O passeio começa com um breve treinamento de rapel e a descida para a caverna. O rapel ainda foi legalzinho, com uma descida de uns 35 metros. Em seguida, iniciamos uma rápida caminhada na caverna, com alguns glow-worms. Vimos bem poucos.... Imaginei que era só o começo e que veríamos muito mais glow-worms mais adiante, mas, mal sabia eu que essa foi a parte com mais glow-worms do passeio! Depois, fizemos uma tirolesa curta, que o cara pede para fazer no escuro só com a iluminação da lanterna, que é até legalzinha. E chegamos no local aonde saltamos com a boia de uma pedra até o rio subterrâneo, que deve estar uns quatro ou cinco metros abaixo. Esta foi a parte mais “radical” do passeio, a única que deu um friozinho na barriga!

Figura III69: Antes de saltar no rio subterrâneo

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A partir desta etapa, começava o boia-cross no rio. Nesta parte, tem mais um pouquinho de glow-worms, mal sabia que aquela seria a minha despedida deles. Eu esperava que o boia-cross fosse um rafting radical por correntezas subterrâneas, afinal, a empresa chama Black Water Rafting! Na verdade, era só uma flutuação em um rio subterrâneo com correnteza muito leve, se é que dava para chamar aquilo de correnteza. E em um rio hiper gelado....

Após algum tempo, deixamos as boias e seguimos a pé pelo leito do rio, às vezes atravessando uns buracos, alguns eram meio claustrofóbicos. A parte final do passeio envolvia escalar uma pequena cachoeira (menos de 3 metros) para sair da caverna, passando por mais uns buracos. Legalzinho, mas muito menos radical do que imaginava.

Como vocês podem perceber, achei o passeio Black Abyss bem overrated, para não dizer um fiasco total... Talvez eu tenha elevado muito a minha expectativa de aventura, baseado em vários reviews positivos, mas o passeio acabou sendo muito menos emocionante do que eu esperava. E o pior: eu esperava uma caverna lotada de glow-worms, mas vi muito poucos! Embora não tenha sido um passeio completamente ruim, não acho que valeu os 198 $NLZ.

Minha esposa grávida acabou indo no passeio “carro-chefe” de 30 $NZL, que incluía a caminhada e um passeio curto na caverna, e ela gostou da experiência. Uma parte muito ruim é que não podia tirar fotos, vou colocar uma aqui para ilustrar! Vale notar que as fotos de propaganda das Waitomo Caves que encontramos na internet, Instagram, etc., são belíssimas, muito melhores que a vista “real” que eu e minha esposa tivemos...

No final das contas, eu recomendo fazer o passeio dos glow-worms que minha esposa fez, acho que custava uns 30 $NLZ. À tarde, pegamos o carro e fomos até Rotorua.

Figura III70: Glow-worms

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Fonte: Манько Марко, via Wikimedia Commons

Waitomo Caves: #valeapena

Black Abyss: #legalzinho

Dia 22 -> White Island e Rotorua

Rotorua, situada na região central da Ilha Norte da Nova Zelândia, é a cidade com maior atividade vulcânica do país. Sinais do passado turbulento que moldou a paisagem estão por todos os lados. A região é um paraíso geotérmico, rodeada por grandes lagos em antigas crateras vulcânicas e belos estratovulcões. A terra parece viva, gêiseres expelem jatos de água fervente rica em minerais, vapor paira sobre a paisagem lunar, terraços de sílica exibem uma infinidade de cores, e caldeirões de lama borbulham lentamente, criando ondulações que se expandem em círculos cada vez maiores.

Nesse primeiro dia, planejei um passeio day tour que vai até White Island: um vulcão ativo que ficam em uma ilha a 50 km da costa em uma baía chamada Bay of Plenty. Este é o vulcão mais ativo da Nova Zelândia. Peguei o passeio que saía da cidade portuária de Whakatane, que fica a quase uma hora e meia de Rotorua de carro. O passeio era proibido para gestantes, não sei se pelos gases do vulcão ou pelo trecho de mais de uma hora de barco. Ou seja, infelizmente, minha esposa não pôde ir. Quer dizer, “infelizmente” do meu ponto de vista, talvez para ela seja “felizmente”, não sei se alguém “com juízo” ficaria animado para visitar outro vulcão poucos dias após quase levar uma bomba vulcânica na cabeça 🤣🤣🤣 . Mas o passeio em si é bem light, a caminhada não exige esforço.

White Island é uma ilha pequena, cerca de 2 km de diâmetro, com um vulcão ativo dentro dela. A ilha emerge como o pico de um vulcão submarino de 16 km de diâmetro, e no seu ponto mais alto acima da superfície, chega a 321 metros. A ilha tem um formato clássico cônico de estratovulcão, mas tem um pequeno pedaço do cone a sudeste que é aberto, aparentemente colapsado após alguma erupção, por onde chega o barco. E de lá caminha-se até a parte mais ativa do vulcão. Não se tem muita informação de lá antes de 1826, mas a atividade vulcânica da ilha fomentou muitos mitos e lendas maoris, os antigos habitantes da Nova Zelândia. Pena que, no tour, não falaram nada a esse respeito, eu vi algumas informações interessantes na internet.

Um mito diz que Whakaari, o nome maori de White Island, surgiu como parte da ascensão do Monte Tongariro de um líder espiritual maori (Ngātoro-i-rangi). Com muito frio durante a subida, ele pediu calor aos deuses. Foi para atender esse pedido que os deuses “acenderam” o fogo em White Island/ Whakaari, e então esse fogo foi levado para o líder Ngātoro-i-rangi!

Figura III71: White Island, ou Whakaari

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Figura III72: Detalhe do vulcão

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A parte de dentro da ilha basicamente é muito pequena, em cerca de uma hora, você anda por quase toda a parte interna do vulcão. Antigamente existia uma mina para explorar enxofre, e meia dúzia de trabalhadores que moravam lá (imagina a qualidade de vida deles...). Mas hoje é desabitada, e a mina está desativada.

Toda a parte interna da ilha está repleta de atividade vulcânica, a gente caminha e observa alguns pontos em que saem bolhas de água fervendo, lama fervendo, fumaça, e tudo geralmente muito fedido pelo enxofre... Aliás, o amarelo do enxofre torna o cenário ainda colorido e mais surreal. Muitas cores, especialmente o amarelo, laranja, e vários tons de cinza, tudo misturado com muita fumaça!

Figura III73: Fluxo maior de água escoando até o mar

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Figura III74: Muita atividade fumarólica e muitas cores

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Figura III75: Detalhe das formações

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Até que chegamos no núcleo do vulcão. Este vulcão, ao contrário do Monte Yasur por exemplo, não é um vulcão estromboliano. A parte mais ativa do núcleo de White Island é um lago ácido, parece uma super lagoa de lama, muito quente, fervendo e expelindo muita fumaça e gases fedidos, possivelmente tóxicos. Mas, no núcleo, não tinha lava.... Tem umas partes emitindo tanta fumaça, que eu imagino serem as partes mais fundas do lago.

Figura III76: Lagos do núcleo de White Island

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Figura III77: Detalhe do núcleo (parte com menos fumaça)

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O vulcão também me chamou atenção porque, geralmente, quando se vê o núcleo de um vulcão ativo, é de longe, do alto de um cume ou da borda da cratera. Mas o legal de White Island é que a gente caminha na base do estratovulcão, no mesmo nível da atividade vulcânica, bem próximo dele, e não do cume ou na borda da cratera. A sensação é até um pouco angustiante, especialmente à medida que nos aproximamos mais do núcleo, parece que estamos entrando no meio de um caldeirão fervendo!

Aliás, mesmo tendo muito menos atividade/erupções vulcânicas que Vanuatu, lá tinha muito equipamento de segurança, máscara de gás, capacete e a gente tem que ficar a uma relativa distância grande daquela parte do lago do núcleo, com maior quantidade de lama/água fervendo.

No final das contas, este não é o vulcão mais legal que já visitei, mas, ainda assim, achei bem bacana conhecer e ver os tipos de atividades vulcânicas de lá, e o cenário é surreal! Eu achei que valeu muito a pena!

EM TEMPO, atualização de 2021: no dia 9/dez/2019, houve uma erupção surpreendente, que, infelizmente, resultou em fatalidades. Putz, só de imaginar que eu estava lá 6 anos antes, neste mesmo passeio em que ocorreu a erupção que, segundo os vulcanólogos, foi pequena, mas infelizmente resultou em fatalidades. E, no meu relato, eu estava achando excelente estar no mesmo nível da atividade vulcânica, olha só?.... O que ocorreu em White Island, aparentemente, foi uma erupção hidromagmática resultante do contacto entre o calor de um magma e um corpo de água (no caso, o lago da cratera e/ou água do mar), resultando em um fluxo piroclástico em toda aquela área da cratera que eu visitei.

Enfim, voltando à minha viagem... Enquanto eu estava em White Island, a minha esposa passeou em Rotorua, que é uma cidade bonitinha, bem turística, apesar de feder enxofre devido às atividades vulcânicas. Rotorua tem um centrinho legal, à beira de um lago. O prédio mais bonito da cidade é o Museu de Rotorua, que foi construído no século XIX como um SPA para curar doenças de pele com as águas termais da cidade. É praticamente o marco-zero da cidade, pois, a partir desse momento, Rotorua passou a receber maiores fluxos de turistas e cresceu. Hoje o prédio abriga um museu sobre a história do país.

Figura III78: Museu de Rotorua

Do alto do Monte Ngongotaha tem uma bela vista de Rotorua e seu lago. Pode-se chegar nessa montanha de teleférico e tem uma vista bonita. Lá no alto, eles oferecem várias atividades. A principal é o luge, espécie de carrinho de rolimã para descer a ladeira. Deixamos para ir no luge em Queenstown, é muito divertido. E próximo ao teleférico, tem a zorb, uma bola inflável que desce o morro rolando, que também parece bacana. Além dessas atividades, em Rotorua tem uma grande oferta de shows maoris, inclusive alguns que parecem “pega turista” (por exemplo, atores encenando algo que não é realmente costume deles). Acabamos não achando nenhum que parecia mais autêntico e não fomos.

Rotorua é uma cidade bem agradável para passar uns dias e servir como base para conhecer as áreas geotermais próximas.

White Island: #imperdível

Rotorua: #valeapena

Dia 23 -> Waimangu e Wai-o-tapu

Existem muitos parques termais com atividades vulcânicas próximos a Rotorua e Taupo, e, nesse primeiro dia, escolhemos ir nos que pareciam ser os melhores: Waimangu e Wai-o-tapu. Estes dois parques termais são bem diferentes. Primeiro fomos no Waimangu, que é bastante amplo, tem lagoas termais bem grandes e envolve mais caminhada para chegar nos pontos de interesse. No site deles, tem um mapa bem legal. Da entrada, você vai descendo por uma caminhada tranquila, passando por diversos lagos com água vulcânica, alguns mais quentes, outros menos quentes, uns coloridos, outro com cor de “lago normal”, alguns com terraços, o cenário é bem variado! O segundo lago termal, conhecido como Frying Pan, impressiona pelo tamanho, realmente é gigante! No vídeo Cap III11 dá para ter uma ideia melhor do tamanha da Frying Pan, salvo no canal youtube.com/@destinovulcoes, link para o QR Code.

Figura III79: Frying Pan

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Durante toda a caminhada, vamos passando por vários cenários diferentes e muita atividade geotermal. Cenários encantadores surgem da linda mistura das águas vulcânicas com a vegetação, rochas e as águas já resfriadas, criando paisagens únicas e belas. Algumas partes têm tanta fumaça que não dava nem para enxergar muita coisa. A lagoa que a gente mais gostou foi a lagoa azul, muito bonita, chamada Inferno Crater.

Figura III80: Waimangu Valley

Figura III81: Inferno Crater

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A foto não reproduziu bem a beleza da lagoa, não sei se porque estava muito sol, ou o contraste da lagoa parte no sol, parte na sombra, ou as fumaças brancas saindo da lagoa (era bem quente), ou falta de habilidade do fotógrafo de câmera nova mesmo 🤣 . Enfim, Inferno Crater é muito bonita, não deixem de conhecer essa lagoa, que fica meio escondidinha.

O parque termina no Lago Rotomahana. Bem longe, ao fundo, está o vulcão agora dormente Monte Tarawera, que entrou em erupção em 1886 e alterou a geografia de boa parte da região geotermal de Rotorua e Taupo, especialmente os Pink e White Terraces, vou falar deles mais para frente.

Hora de ir para o próximo parque geotermal: Wai-o-tapu. Lá tem um parque geotermal, algumas piscinas de lama borbulhante e um gêiser artificial. Sem dúvidas, a parte mais interessante é o parque geotermal. Ele é bem menor que o Waimangu, mas oferece mais coisas para ver, especialmente lagoas vulcânicas. Não que seja pequeno, mas, em Wai-o-tapu, as lagoas são geralmente menores que as de Waimangu, e tem algumas muito fotogênicas. A mais famosa, Champagne Pool, destaca-se pela sua bela cor de champagne. Talvez seja tão quente quanto as lagoas do Waimangu, ao contrário das outras lagoas do Wai-o-tapu, que eram menos quentes. Em Wai-o-tapu, também havia fumarolas, lamas borbulhando, enxofre, e bastante atividade vulcânica. Muita coisa para ver, achei o parque bem legal, as cores e as paisagens muito surreais – e fedidas. Provavelmente, foi o parque geotermal que mais gostei.

Figura III82: Champagne Pool

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Figura III83: Detalhe da Champagne Pool

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Figura III84: Lagoa de cor verde

Depois conhecemos uma área com umas piscinas de lama borbulhante (se não me engano, do lado de fora do parque geotermal sem pagar nada para entrar). Alguns chamam de vulcões de lama, mas achei meio exagerado, ainda mais em um livro com um tanto de vulcão “de verdade” 🤣 .

Figura III85: Mud pools

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O vídeo Cap III12 das mud pools ficou melhor que a foto.

No final do dia, seguimos para Taupo, mais uma bela cidade neozelandesa à beira de um lago, com as montanhas do Tongariro National Park ao fundo. E tem um detalhe: este lago é a caldeira originária da erupção mais cataclísmica dos tempos modernos, em Taupo 186 d.C.!

Figura III86: Lago de Taupo

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Waimangu: #imperdível

Wai-o-tapu: #imperdível

Dia 24 -> Taupo

A Nova Zelândia é conhecida como uma “meca” dos esportes radicais: para quedas, voo livre, rafting, jetboat, mountain bike, parasailing, rapel, escalada, trekking, tem muita coisa legal mesmo. E, claro, não poderia faltar bungee jumping, na terra onde ele foi inventado (inspirado nos índios N'gol de Vanuatu). Dava vontade de fazer tudo, mas, pelo preço de uns 150-200 $NZL cada atividade, infelizmente eu tinha que escolher uma ou outra.

Taupo tem um bungee jumping de uns 50 metros, menos concorrido pois não é o mais alto da Nova Zelândia (tem um de mais de 100 metros em Queenstown, bem mais caro), mas fica em um cenário muito bonito, na beira de um precipício por onde corre um rio com águas verdinhas! Achei ideal para eu fazer meu primeiro bungee jumping.

Figura III87: Lindo cenário do bungee jumping

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Quando eu assistia aos saltos de bungee jumping pela TV, ou mesmo vendo ao vivo, sempre imaginei que seria só um friozinho na barriga (de leve), mas que, no geral, seria tranquilo... Mais ou menos a mesma emoção de uma montanha-russa. Mas eu não poderia estar mais enganado! Depois que você coloca o equipamento e fica na beira do precipício para saltar, é muuuuuuuuuuuuuuito mais aterrorizante do que eu poderia imaginar!!!! É uma sensação/emoção difícil de explicar....

Já fiz bastante coisa considerada “radical” e, até então, meu maior “cagaço” foi em um salto de pêndulo: você sobe amarrado em um cabo de aço a uns 45 metros e é solto lá de cima! Dizem que você chega a quase 90 km/h na descida. Diferente do bungee jumping, o cabo é de aço, que começa meio solto e por isso, no começo, você cai como em queda-livre, mas logo o cabo estica, te puxa, e você fica balançando de um lado para o outro. No pêndulo, você vai amarrado pelo tronco, e não pelos pés. O que eu fui, no longínquo 1996, ficava em Los Angeles, chamado Dive Devil. Antigamente tinha um parecido no Playcenter, e até hoje ainda tem um no Hopi Hari.

Figura III88: Salto de pêndulo

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Fonte: De Coasterman1234, via Wikimedia Commons

Enfim, eu já fiz muita aventura, mas o bungee jumping foi muito mais assustador do que eu poderia imaginar! Senti um medo absurdo, só fazendo para entender! O pior é a hora de saltar... O instrutor colocou o equipamento em mim e me explicou como seria o salto. Eu só teria que levantar os braços, ele ia contar até três, e então eu tinha que mergulhar (importante saltar com a cabeça para baixo). Na hora, eu até planejei fazer do jeito que ele falou. Levantei pensando: “vai dar medo, mas vou me jogar, tranquilo”. Cheguei na ponta da plataforma, levantei os braços e ele começou a contar: 3,2,1... e.... meu corpo não se jogava de jeito nenhum! Minhas pernas tremiam que nem vara verde, e, instintivamente, as minhas mãos agarraram no teto da plataforma! Deve ser o subconsciente, algum tipo de autodefesa, instinto de sobrevivência, sei lá... Era para eu ter saltado, mas travei. O cara contou de novo, meu cérebro até pensava “eu vou”, mas meu corpo não ia! Imagino meu corpo “falando” para o meu cérebro: “não faz isso, cara, você tá maluco? Não quero morrer”.

Depois de algumas tentativas, não sei como, eu acabei pulando.... Quer dizer, na hora, até achei que tinha conseguido saltar sozinho, mas quando fui assistir ao vídeo, descobri como eu “consegui”: o instrutor que tinha me empurrado 🤣🤣🤣 . Salvei o vídeo do salto no canal do Youtube, Cap III13. Reparem no pessoal gritando para eu não segurar no teto e no belo empurrão que o instrutor me deu. Na hora, nem senti...

Depois que você salta, é tudo muito rápido. Foram uns cinco segundos de muito medo... Mas a adrenalina é tanta que você nem pensa nisso. Quando você começa a entender o que está acontecendo, vem aquele tranco e te puxa para cima.... Que sensação!! Depois, fica bem mais fácil: você volta a cair de novo, mas sem precisar mais enfrentar o terror de se jogar da plataforma. Quando o medo começa a surgir, você já está caindo de novo, nem dá tempo de sentir medo. Acho que depois da segunda ou terceira vez subindo e descendo, eu comecei a raciocinar de novo, respirar e aproveitar! O bungee jumping de Taupo é do tipo que você poderia tocar na água, mas o rio estava baixo e, mesmo com o instrutor colocando o máximo de tamanho de corda, não cheguei nem perto do rio.

Figura III89: Bungee jumping em Taupo

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Em termos de aventura, foi a maior emoção que senti na vida, valeu muito a pena! Nunca imaginei que ia ser tão difícil me jogar “voluntariamente” daquela plataformazinha na beira do precipício! Assistindo ao vídeo, contei: foram uns 45 segundos agonizando na ponta daquela plataforma, mas que pareciam uma eternidade 🤣🤣🤣 . “Sorte” da patroa que estava grávida, senão ia encher muito o saco dela para fazer pelo menos uma vez na vida. Se eu puder dar um conselho, não façam como eu, façam bungee jumping antes dos 30 anos, enquanto a gente ainda tem muita coragem...

Após me recuperar emocionalmente, era hora de aproveitar o resto do dia. Na Nova Zelândia havia umas piscinas com terraços naturais de sílica no estilo Pamukkale (Turquia) muito bonitas, chamadas Pink and White Terraces. Porém, elas foram destruídas naquela erupção vulcânica do Vulcão Monte Tarawera em 1886, o que restou agora está submerso naquele lago maior (Rotomahana) do Parque Waimangu.

Waikarei terraces é uma estância termal que oferece algumas piscinas aquecidas, e tem uma reconstrução artificial de terraços de sílica inspirados nos Pink e White Terraces. As águas são aquecidas com águas termais, mas as piscinas, reconstruindo os terraços de sílica, são artificiais. Achei bem bonito, mas, se fosse natural, eu valorizaria mais, os terraços originais deveriam ser sensacionais.

Depois do Waikarei, fomos conhecer uma cachoeira na região chamada Huka Falls. Tinha visto bastante fluxo de água, e era bem fácil o acesso. Estávamos com tempo sobrando, então fomos conhecer. De fato, era bastante caudalosa, água clarinha, com caminhada agradável, era bonitinho, mas não achei nada demais o lugar.... Se estiver de bobeira, vale a pena dar uma passada.

Depois, fomos até o último parque termal, chamado Orakei, mas não entramos nele... Vimos a cara do lugar, achei meio parecido com uma parte que tínhamos visto em Waimangu, não nos empolgamos muito, estava meio tarde, só tiramos uma foto e voltamos. Dia encerrado, hora de voltar para Taupo e arrumar as malas rumo à Ilha Sul da Nova Zelândia!

Figura III90: Waikarei terraces

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Figura III91: Huka Falls

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Bungee Jumping: #imperdível

Waikarei: #legalzinho

Huka falls: #legalzinho

Dia 25 -> Taupo –> Picton

Dia de nos despedir da ilha norte, seguindo viagem para o sul. Logo ao sul de Taupo fica o Tongariro National Park. No parque, tem várias trilhas, a mais famosa (Tongariro Crossing) é uma trilha puxada: 19 km, em média 8h, subindo de 1100 até 1800 metros, e depois descendo até 800 metros. É uma travessia muito bonita que passa por terrenos vulcânicos, crateras e lago muito belos, além das belas montanhas e vulcões. Fazer o trekking no Tongariro National Park estava nos meus planos, mas, infelizmente, desistimos quando soubemos da gravidez da minha esposa.

Como prêmio de consolação, passamos pela estrada que fica ao lado do Tongariro National Park e tiramos algumas fotos das montanhas. Com destaque para o Monte Ngauruhoe, um clássico estratovulcão. Ele é considerado ativo, mas sua última erupção foi em 1977 e, desde então, ele tem registrado pouca atividade, nós não vimos nem fumarolas. Aliás, o vulcão foi usado como um dos cenários na trilogia do Senhor dos anéis: era o Monte Doom, em Mordor!

Figura III92: Monte Ngauruhoe (direto de Mordor…)

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De lá, seguimos viagem até Wellington para atravessar de balsa para a ilha sul. Chegamos um pouco mais cedo em Wellington, mas, como era um dia muito cansativo de viagem, quase 5h de carro, mais a balsa, só demos uma volta rápida pelo centrinho. Pegamos um ferry que sai de Wellington às 18h, chegando em Picton às 21h30. Dia longo. Desmaiamos, mas, no dia seguinte, ainda teríamos outro longo trecho de viagem.

Dia 26 -> Picton -> Fox Glacier

Este dia foi o mais cansativo de viagem, com um longo translado de Picton, do norte da ilha sul, até Fox Glacier, que fica na costa oeste mais ao sul da ilha sul. Para não ficar só andando de carro, programamos uma parada em uma atração chamada Pancake Rocks, que fica mais ou menos no meio do caminho.

Pancake Rocks é uma atração legalzinha, são rochas “laminadas” que ficaram com formatos curiosos que lembram panquecas, por isso recebeu esse nome. Em alguns trechos, o mar se choca violentamente com os rochedos, algumas vezes formando jatos de água, outras vezes criando grandes buracos que acabam formando piscinas. Tem uma trilha limitando o trajeto, bem curtinha. Se estiver de passagem como eu, vale a pena dar uma passada. Se não for caminho, não vale a pena se esforçar para ir até lá....

Figura III93: Pancake Rocks

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Depois, seguimos viagem até Fox Glacier. No total, foram 7h de carro, com alguns trechos de estrada bem bonitos, especialmente um passe atravessando uma cadeia de belas montanhas para chegar até a costa oeste da ilha sul, mas era até difícil parar na estradinha para tirar fotos. Achei bem cansativos esses dois dias de viagem de Taupo –Picton – Fox Glacier, 1000 km em 2 dias e, no dia seguinte, ainda teriam mais 350 km até Queenstown.

Pancake Rocks: #legalzinho

Dia 27 -> Fox Glacier

Fox Glacier é uma microcidade cujas atrações principais são os glaciares, um chamado Fox, outro Franz Josef. O plano era parar uma noite lá, conhecer um glaciar, avistar o Monte Cook e finalmente chegar em Queenstown. Em pensar que nessa mesma viagem, há uma semana, eu estava torrando no sol nas praias em Vanuatu e na Austrália, e hoje eu ia colocar roupa de neve para caminhar sobre um glaciar!

O passeio é basicamente uma caminhada pelo vale até a base do glaciar, para depois caminhar sobre ele utilizando os equipamentos adequados. Eu achei os passeios dos dois glaciares muito parecidos, acabei escolhendo o passeio do Fox Glacier, não me lembro ao certo o porquê. Tinha outros passeios mais caros, por exemplo, um que pousava de helicóptero no topo do glaciar. Mas eu achei muito legal o passeio que fizemos, a caminhada no vale até chegar ao pé do glaciar já é bem bonita, e a caminhada no gelo propriamente dito com os crampons é bem diferente. Entramos em algumas “caverninhas” de gelo também....

Figura III94: Chegada no glaciar

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Figura III95: Detalhe dos turistas entrando no glaciar

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Figura III96: Glaciar Fox

Figura III97: Caverna de gelo

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Achamos muito legal caminhar naquela imensidão de gelo, conhecendo cenários que não são comuns para quem vive em um país tropical como o Brasil. Foram umas 4h de passeio, incluindo o transporte da cidade.

Próximo à cidade, havia um lago bonito chamado Lake Matheson, onde em dias claros o Monte Cook reflete em suas águas. Com 3754m, o Monte Cook é o pico mais alto da Nova Zelândia, e o mirante do Lake Matheson, chamado Jetty Viewpoint, oferece boas vistas. No dia, estava muito nublado, especialmente nas montanhas, mas teve um momento que abriu um buraco bem no meio das nuvens, revelando um belo pico nevado – acho que era o Monte Cook, ou alguma montanha ao lado.

Figura III98: Monte Cook (?) entre as nuvens

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Se estiverem em Fox Glacier, vale a pena dar uma passada no Lake Matheson para tentar ver o Monte Cook. Porém, apesar da vista do Lake Matheson ser legalzinha (em dias claros), acredito que a vista mais bonita do Monte Cook é do outro lado (ao leste da ilha sul, muito fora da nossa rota). Vi algumas fotos tiradas do Lake Pukaki que pareciam mais impressionantes....

Do Lake Matheson, seguimos para Queenstown. A estrada passava por algumas paisagens bens bonitas, e um dos destaques foi um lago muito bonito, que imagino ser o Lago Wanaka.

Figura III99: Lindo lago no caminho (Wanaka?)

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Fox Glacier: #imperdível

Dia 28 -> Queenstown

Queenstown, a capital mundial da aventura, foi o destino final da nossa expedição de carro, atravessando a Nova Zelândia de norte a sul. Não sei explicar exatamente o porquê, mas eu simplesmente amei Queenstown! Não sei se foram as cores do outono, o clima vibrante de cidade aventureira, o lindíssimo cenário das montanhas ao redor do lago Wakatipu, o centrinho muito bacana com tudo perto, gente jovem nas ruas, a simpatia do pessoal do hostel e das agências de turismo... Provavelmente um pouco de tudo isso. Só sei que Queenstown foi minha cidade favorita! Ela não é uma cidade tão pequena assim, mas tudo que você precisa está concentrado no centrinho. A vegetação com as cores de outono estava sensacional, me chamou muito a atenção. Não sei porque as folhas e flores no resto da Nova Zelândia não me chamaram tanto a atenção, talvez por Queenstown ser mais ao sul, ou por ser mais florida, sei lá... Nem o friozinho da noite, com mínimas de uns 60C, nos incomodou.

No primeiro dia, fomos conhecer o Skyline. Um teleférico que vai até a montanha ao lado da cidade, oferecendo vistas belíssimas da cidade.

Figura III100: Queenstown

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Para variar, lá tinha oferta de um monte de atividade, voo livre, um bungee jumping menor (o de mais de 100m fica em outro lugar), mas eu e a patroa optamos em descer de luge, aquela espécie de carrinho de rolimã que também tinha em Rotorua. Não é muito rápido, ou emocionante, tanto que grávida pode ir em problemas, mas é muito divertido. E era barato, algumas descidas já estavam incluídas no preço do teleférico. Muito bacana o passeio no Skyline de Queenstown, lindas vistas, não dá para não ir.

Figura III101: Luge

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Figura III102: Pista do luge

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Depois descemos para o centro e fomos passear a beira do lago, curtindo a paisagem. De um lado fica o jardim botânico, que estava muito bonito com lindas flores e especialmente as folhas multicoloridas no outono: verde, amarelo, vermelho, vinho, laranja, um show à parte! Em 1h15, tiramos 98 fotos das folhas do outono... E, no final, ainda pegamos o pôr do sol mais bonito da viagem!

Figura III103: Lago e Jardim botânico

Figura III104: Folhas de outono

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Figura III105: Pôr do sol em Queenstown

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Queenstoown, Skyline e Luge: #imperdível

Dia 29 -> Milford Sounds

Milford Sounds é um fiorde que fica ao sul de Queenstown, a cerca de 4h de ônibus. Optei por fazer um day tour de Queenstown, mas também é possível ir até a cidade de Te Anau, que fica no meio do caminho, e de lá conhecer os fiordes e outras atrações.

O clima na Ilha Sul, especialmente no Leste, já é meio instável em geral, mas Milford Sounds está na região mais chuvosa da Nova Zelândia, com média de 200 dias de chuva por ano! Por isso, deixei para fazer o passeio no dia com melhor previsão do tempo e comprei o tour apenas poucos dias antes. Vi muitas fotos e relatos de viajantes que pegaram tempo ruim, mas nós demos muita sorte e pegamos um céu azulzinho! No final do passeio, apareceram umas nuvens, mas o tempo lá foi excelente.

O passeio em si é um pouco cansativo, com muitas horas de ônibus, saindo cedo e voltando tarde, mas achei a melhor opção. O ônibus faz algumas paradas: para comer em Te Anau e em alguns mirantes pelo caminho – uma lagoa, um riacho bonitinho e uma montanha – embora nenhum desses lugares tenha me impressionado muito. Até que, finalmente, embarcamos para um passeio pelo fiorde Milford Sounds, que é realmente muito bonito. O destaque da paisagem é uma montanha quase triangular, o Pico Mitre, que se eleva a 1700m! Logo que chegamos no píer, fomos recebidos por essa vista incrível, com Pico Mitre à esquerda.

Figura III106: Pico Mitre em Milford Sounds

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Esse braço do fiorde é cercado por muitas montanhas altas e bastante inclinadas, impressionante. Também chamou a atenção as inúmeras cachoeiras deslumbrantes, que escorrem pelas encostas das montanhas até o mar. De longe, em meio a montanhas tão altas, as cachoeiras até pareciam pequenas. Mas, à medida que o barco de aproximava, começamos a ter noção do tamanho real delas. Nesta primeira foto, dá para ver ao longe a cachoeira entre as montanhas do fiorde. Perto da montanha do fiorde, a cachoeira até parece pequena.

Figura III107: Cachoeira vista de longe

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Agora a mesma cachoeira vista de perto. Detalhe: tinha um barco passando na frente. Reparem no tamanhinho do barco em relação a cachoeira, e era um barco bem grande...

Figura III108: Detalhe da mesma cachoeira da foto anterio

image.png.e851af8d0fb70c213e8c5e6f00d3d0fe.pngOs barcos geralmente chegam perto de uma ou duas cachoeiras durante o passeio. O nosso barco também chegou perto de algumas cachoeiras, a ponto de molhar quem estiver no barco. Além das cachoeiras, tinham alguns animais por lá. Conseguimos ver leões-marinhos. O pessoal disse que alguns dias há pinguim, pena que não vimos…. Valeu muito a pena o passeio!

Figura III109: Cachoeira com bastante volume d’água

Figura III110: Milford Sounds em preto e branco

image.png.64746bf19ad1ce358eb78b9210d42b1d.pngMilford Sounds: #imperdível

Dia 30 -> Queenstown

Este dia tinha reservado para fazer alguma atividade radical em Queenstown. Tinha planejado fazer um jetboat (tem milhares de opções em Queenstown), e talvez o maior bungee jumping da Nova Zelândia, mas ele ficava meio afastado do centro de Queenstown, e acabei desistindo pelo preço do salto e do translado. Já o jetboat era bem mais barato (menos caro....), inédito para mim, era mais perto e não cobravam uma facada de translado...

Jetboat é uma espécie de barco superveloz, que vai praticamente “flutuando” sobre a água e faz algumas manobras radicais, “tipo” cavalo de pau, curvas fechadas etc. Escolhi o jetboat chamado Shotover, o mais antigo da Nova Zelândia, que fica em um riozinho muito bonito. O rio é meio raso, com alguns paredões, e o piloto vai a milhão, tirando uma fina das pedras e dando cavalos de pau. Não é tão perigoso quando pode parecer lendo minhas palavras, eu diria que dá menos medo que os buggys “com emoção” do Nordeste…. Mas, ainda assim, como o barco bate bastante na água e faz algumas manobras bruscas, eles não recomendam para gestante. A parte do passeio no barco mesmo é meio rápido, dura uns 15 minutos, mas eu achei bem divertido, valeu a pena. Além do belíssimo cenário do rio e as folhas do outono!

Figura III111: Shotover Jetboat

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Figura III112: Lindo rio e folhas de outono


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Figura III113: Outono

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Passamos o resto do dia no centro de Queenstown, apreciando a linda vegetação no outono dos bosques ao redor do lago. Que cidade linda!

Figura III114: Outono em Queenstown

Jetboat: #valeapena

Dia 31 e 32 -> Queenstown -> Sidney –> SP

Nossa passagem pela Nova Zelândia acabou, infelizmente estava acabando nossa viagem. Acordamos cedo e pegamos o voo para Sidney. Aliás, o avião passou bem perto do centro da cidade, nos brindando com lindas vistas da baía de Sydney.

Figura III115: Sydney da janela do avião

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No nosso último dia de Sydney, para fechar a viagem com chave de ouro, aproveitamos para visitar novamente nossa amiga e tirar fotos noturnas da ópera e da ponte. Foram insistentes tentativas e ajustes até conseguir fotos boas, mas valeu a pena!

Figura III116: Ópera de Sydney

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Figura III117: Sydney Harbour Bridge

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No dia seguinte, iríamos sair às 18h30 de Sydney, e depois de 16h de voo, chegaríamos 19h55 do mesmo dia em Buenos Aires! Haja fuso horário, reembarcamos na máquina do tempo: passamos 16h no avião, saindo às 18h30 e chegando às 19h55 no mesmo dia... Para depois finalmente chegar em São Paulo. Ufa, terminou, e que viagem inesquecível!

O que eu acertei e o que eu faria diferente: Oceania

Tínhamos programado fazer uma grande viagem antes de ter filhos, e o roteiro não poderia ter sido melhor. Tiveram várias atrações naturais incríveis e das mais variadas, desde praias paradisíacas até montanhas nevadas, glaciares, fiordes, animais diferentes e áreas geotermais! Mas também tiveram atrativos mais urbanos e culturais, conheci cidades espetaculares como Sydney e Queenstown, e a autêntica e única cerimônia N’gol de Land Diving. E teve fortes emoções com o bungee jumping e, principalmente, o melhor passeio da vida, o Vulcão Monte Yasur em Vanuatu!!!

Eu achei a Austrália bem bacana, é um país fantástico. Sydney deve ser uma das melhores cidades do mundo para morar! Mas em termos de turismo, algumas atrações me pareceram um pouco overrated, e é um país caro. Comparando com o dólar americano, o dólar australiano era um pouco mais caro, enquanto o dólar neozelandês era um pouco mais barato. Na época que eu fui, o dólar americano era aproximadamente R$ 2,00, o dólar australiano ($AUS) era R$ 2,10, e o dólar neozelandês ($NZL) era R$ 1,75. Acabei optando por conhecer bastante o Queensland, pela beleza e pela logística: é relativamente acessível de Sidney (voos curtos e baratos) e tem muita opção desde praias e, claro, a Grande Barreira de Corais! Achei imperdível Sydney, os exóticos animais australianos, a Grande Barreira de Corais e Whitehaven beach. Quanto às outras praias, são bonitas, mas não tão especiais para quem mora em um país como o Brasil.... Curtimos as praias, só não acho que vale a pena gastar muito dinheiro e muitos dias de férias para conhece-las. Se eu fosse refazer o meu roteiro, não incluiria toda aquela parte de Brisbane. Townsville foi um erro para quem procurava um passeio raiz diário até a Grande Barreira de Corais. Era melhor ter ido para Cairns, ou algum ponto ao sul de Airlie beach.

Nas minhas pesquisas sobre a Austrália, vi muitos atrativos interessantes, além das que visitei nesta viagem. Para o meu gosto, Ningaloo reef (especialmente na época de mergulho com tubarões-baleia) e Ilhas Christmas parecem muito bacanas, mas ficam muito longe, a logística é muito complicada, passagens caríssimas, tiveram que ficar para uma próxima oportunidade... Também pesquisei sobre Uluru, Perth, Melbourne e os 12 apóstolos, Blue Mountains, vinhedos e Tasmânia, no geral, me pareceram #legalzinhos, mas também decidi não ir por causa da logística/custo. Trekking, especialmente na Tasmânia, parece ser bacana para ver a fauna australiana livre na natureza (cangurus, coala, e, com sorte, até ornitorrinco), mas, na falta de tempo e dinheiro para fazer trilhas atrás deles, vale a pena ir nos zoológicos australianos mais iterativos, muito bacana também.

Antes de avaliar o roteiro na Nova Zelândia, permita-me fazer um comentário bem maldoso: a Nova Zelândia não é um país de atrativos “únicos” ou exclusivos. É difícil algo que você só encontre lá, ou que lá seja o melhor do mundo. Tem um belo vulcão ativo, White Island, que é legal, mas não é o vulcão mais legal do mundo. Milford Sounds é um belo fiorde, mas não tão belo quanto os da Noruega. Tem parques geotermais sensacionais, a Lagoa Champagne, mas não tão marcantes quanto Yellowstone. Tem belos glaciares, mas não tão belos quanto o Perito Moreno. A Nova Zelândia tem belas montanhas, lagos, praias, cidades, esqui no inverno, cultura dos maoris, bons vinhos, trekkings para todos os gostos, mas nada disso pode-se dizer que é o mais belo do mundo... Até o bungee jumping, que eles inventaram (inspirados na tribo N’gol), já tem outros maiores e mais radicais mundo afora. Ainda assim, eu adorei a Nova Zelândia! Acho que o destaque é a variedade, talvez nenhum outro país do mundo tenha tanta diversidade de paisagens a uma distância relativamente pequena. Considero que este é o diferencial da Nova Zelândia: tem muita coisa diferente, para agradar todos os gostos, especialmente (mas não apenas) quem gosta de aventuras e ecoturismo em um país muito receptivo e com uma cidade sensacional como Queenstown!

Se eu fosse mudar algo no meu roteiro pela Nova Zelândia, seriam poucos detalhes. Hoje, eu acrescentaria uma visita ao Lago Pukaki, aquele que aparentemente tem lindas vistas do Monte Cook do lado leste. E, se não fosse a gravidez, teríamos feito a trilha principal no Tongariro National Park. Quanto à logística, na época eu não encontrei bons voos da região de Taupo para Queenstown, acabamos indo de carro e ficou meio pesado esse trecho. Hoje, eu buscaria um voo de Taupo ou Rotorua até Queenstown ou Christchurch. Ainda há muitos atrativos na Nova Zelândia que eu não conheci. O país oferece trekkings para todos os gostos, passeios para os fãs do filme Senhor dos Anéis e praias bacanas, a mais famosa é a Catedral Cove. Além das belezas naturais, tem algumas cidades bacanas, bonitas, bem-organizadas, mas sem grandes atrativos turísticos.

Por fim, vou deixar o link de dois sites muito bons sobre as atrações da Nova Zelândia e Austrália (Ref. 6), e no capítulo I tem mais algumas referências que me ajudaram a montar meu roteiro.

Mas sem dúvidas Vanuatu foi o ponto mais alto da viagem! Se eu fosse planejar novamente a viagem, reduziria alguns dias de Austrália e Nova Zelândia e colocaria muito mais tempo em Vanuatu. Acrescentaria uns 3 dias na Ilha de Santo, maior ilha de Vanuatu. Ela tem provavelmente as praias mais bonitas de Vanuatu (Champagne, lonnoc beach, Port Olry), e tem excelentes pontos de mergulho, com naufrágios da Segunda Guerra Mundial (SS President Coolidge e Million Dollar Point). Tem um passeio com uma caverna que tem cachoeira, cânion e morcegos no meio da floresta chamada Millenium cave, além de rios que formam vários blue holes cristalinos.

Acrescentaria também uma visita à ilha de Ambrym, onde tem outro vulcão ativo, dois vulcões “gêmeos”, na verdade! Só descobri esses vulcões depois que voltei. Em 2013, ainda havia o lago de lava, que secou após uma erupção em 2018, e eu acabei perdendo essa oportunidade! Além disso, apenas um dia em Tanna foi arriscado, o ideal era ficar mais um dia lá e pelo menos mais um dia explorando a ilha de Efate. Além das atrações naturais e culturais únicas, Vanuatu tem um povo é fantástico, muito receptivo e acolhedor, apesar das condições humildes. Não quero criar muita expectativa, não, mas Vanuatu me conquistou! Quem sabe um dia eu volto lá.

A melhor época para visitar esses destinos varia. Na Austrália, especialmente em Queensland, a primavera e o início do verão oferecem clima agradável, com menos chuvas e fora da época das águas-vivas mortais no norte do estado. Fomos em março-abril e, apesar das águas-vivas mortais (que nem atrapalharam muito), foi tranquilo, tivemos dias ensolaradas, algumas nuvens e pouca chuva. Em Vanuatu, se você quiser ir na cerimônia N’gol, tem que ir entre abril e junho. Evite novembro a abril, que é a época mais chuvosa. Nós fomos em abril e, embora tenha chovido um pouquinho em um dia, foi tranquilo. Entre junho a setembro, o clima é mais fresco e sem chuva, possivelmente a melhor época. Na Nova Zelândia, as estações são mais bem definidas, e para as atrações que visitei, o outono foi uma ótima escolha.

Valeu Oceania, Austrália, Vanuatu e Nova Zelândia. Agora é hora de contar como foi a busca pelos vulcões mais incríveis na África, e algumas de suas atrações surpreendentes!

Ranking das atrações

Eu sempre gosto de ressaltar que são julgamentos extremamente pessoais, obviamente o que eu achei imperdível pode ser chato para caramba para outras pessoas.... Enfim, segue meu ranking:

1 – Monte Yasur, Vanuatu

2 – Cerimônia Land Diving N’gol, Vanuatu

3 – Bungee Jumping (Taupo)

4 – Grande barreira de corais

5 – Whitehaven beach

6 – White Island

7 – Praias Efate, Vanuatu

8 – Queenstown

9 – Milford Sounds

10 – Parques termais Rotorua (Waimangu e Wai-o-tapu)

11 – Sydney

12 – Zoo Austrália

13 – Fox Glacier

A trilha do Tongariro e talvez as vistas do Monte Cook do Lago Pukaki tinham potencial para estar nesta lista...

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Pessoal, lembrando que eu postei quase todo o Capitulo III do livro/ebook (só reduzi algumas fotos pra adaptar ao fórum), exceto o relato dia a dia da Austrália. Todos os capítulos, de cada continente, seguem esse formato. O relato completo da Austrália está inteiramente grátis na amostra do e-book na Amazon. Basta pesquisar o livro no amazon.com.br, e selecionar a opção para ver ou baixar a amostra do livro. Para quem quiser conferir, amostra grátis cobre os primeiros 10% do livro, incluindo os capítulos introdutórios, onde conto como começou meu fascínio por vulcões ativos, falo um pouco sobre os diversos tipos de vulcões e de erupção, e explico as razões pelas quais escolhi os vulcões que visitei.

Também já postei aqui no mochileiros o capitulo VI quase inteiro, Guatemala, México e Panamá.

 

Quem quiser ver o relato completo das viagens pelos outros continentes está no livro Destino Vulcões no amazon.com.br!

Sinopse do livro:

Nesta obra, compartilho minhas aventuras em busca dos vulcões mais espetaculares do planeta. É um relato pessoal de mais de 90 dias de viagens, ao longo de 10 anos, explorando 15 países em 6 continentes, ilustrado com fotos e vídeos do próprio autor.

Expressões absolutas da força da natureza, os vulcões fascinam na mesma medida em que amedrontam. Quem já assistiu a uma erupção com lava pode confirmar que os vulcões oferecem uma das cenas mais impressionantes da natureza.

E não é preciso ser um aventureiro radical para explorar esses destinos — basta estar disposto a viver experiências inesquecíveis. Além de paisagens vulcânicas impressionantes, descobri culturas vibrantes e outras belezas naturais que tornaram essa jornada ainda mais enriquecedora.

Convido você a me acompanhar nessa aventura, repleta de histórias fascinantes e paisagens deslumbrantes ao redor do mundo.

Capa:

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Editado por DestinoVulcoes
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