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brunogv

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Tudo que brunogv postou

  1. Estive na Ilha em outubro/2010. Desde criança eu sempre fui fascinado por esse lugar. Havia um jogo de videogame do Tio Patinhas (Ducktales, acho que para Megadrive ou Nintendo) em que uma das fases era passada no “continente perdido” de MU (um suposto continente que, segundo a lenda, “afundou” e do qual só sobraram os pontos mais altos que hoje formam as ilhas polinésias, Ilha de Páscoa, Taiti, etc.). Tinha férias vencidas e meio que fui intimado a tirar logo, aí pensei “já que preciso sair de férias, vou pra onde sempre quis e nunca parei pra ir de verdade: Ilha de Páscoa”. Comprei pra ir sozinho, meu irmão se empolgou e comprou também (uma amiga também chegou a comprar, mas teve problemas e não pôde ir). Enfim, embarquei para a ilha que há muitos e muitos anos queria conhecer e só pesquisei algumas coisas, como hostel, um pouco da história das estátuas e da cultura da ilha e coisas como se havia caixa eletrônico, quanto levar, como pagar, etc. Sou adepto de “ir na raça”, chegar no local e descobrir por lá mesmo o que é bom. Confesso que a história da Geni (que abre esse tópico) me ajudou demais em muitos pontos, e espero poder contribuir para ajudar a viagem de quem mais se aventurar a conhecer o ponto habitável mais isolado do planeta. Seriam 5 dias na Ilha. Pouco, mas era o que dava, pois a viagem foi planejada muito em cima da hora (3 semanas entre comprar a passagem e embarcar). Comprei passagens pelo SubmarinoViagens. As opções eram boas, mas o site é um tanto confuso: eu comprei às 10h da manhã e meu irmão comprou às 22h, mas conseguiu pagar quase R$ 600 mais barato!!!!!! Coisas inexplicáveis que não podem e não devem desanimar quem viaja. O voo era todo via LAN e fez escala em Santiago, com uma espera de umas 8h no aeroporto, mas valeu a pena. Saímos de Santiago pela manhã e por volta do meio-dia já estávamos na Ilha (dava pra ver o vulcão pela janelinha!). Reservei o hostel pelo hi-hostel, chama-se Kona Tau e é um bom lugar pra ficar. O pessoal é simpático, e recebe os hóspedes logo no aeroporto com colar de flores. Quem nos recebeu foi uma bonita chilena de Santiago chamada Joana. Já no hostel, nos ofereceu sucos, deu algumas dicas de passeios e indicou um estúdio de tattoo muito bom, tudo enquanto fazíamos o check-in – e quando começou a chover. Fomos almoçar no restaurante ao lado das escolas de mergulho, sobre a pequena baía em frente ao campinho da cidade (era domingo à tarde e rolava ali o clássico local, com uma arquibanda lotada de umas 50 pessoas – futebol não é o forte deles). O restaurante era muito caro, mas pelo menos experimentamos a cerveja local da ilha (meu irmão curtiu, eu não). Aí a chuva apertou. Pra não perder o dia por causa da chuva, saímos e alugamos um jipinho barato, compramos um CD com as músicas (“top hit parade Rapanui 2009”, hahahaha) locais cantadas no idioma nativo (rapanui), pegamos um mapa e uma australiana que chegou no mesmo voo e fomos desbravar a costa leste da ilha, até o vulcão onde os moai eram esculpidos. Não deu pra ver muita coisa por causa da chuva, apenas algumas ruínas de estátuas pelo caminho e uma panorâmica do vulcão (e do Tongariki, mas de longe), mas esse rolezinho pelo menos ajudou a “mapear” a ilha e, assim, nos dias seguintes foi bem mais fácil chegar a todos os lugares interessantes. A moeda oficial é o peso chileno (mais ou menos 4 mil pesos equivalem a R$ 1), mas quase todo lugar aceita dólar (acho que só um supermercado não aceitou). Mas quase tudo fica um pouco mais caro em dólar, então é melhor levar peso chileno (em SP tem um banco num prédio ao lado do shopping Iguatemi que vende a preço justo). Definimos então um mantra que levarei para todas as viagens: quem converte não se diverte. Não é todo lugar que aceita cartão (o hostel não aceita, apesar de ser necessário passar o número pra garantir a reserva; locadoras de carros e alguns restaurantes aceitam). Só há 1 caixa eletrônico na ilha, e não dá pra sacar com Visa, só com Mastercard (lembrei da musiquinha “voei de balão” do Viajante Mastercard, hahahahaha). Pensamos em ir ao museu já que chovia, mas todos os prédios públicos estavam fechados. Estava rolando uma ocupação dos nativos (rapanui), por causa do feriado local (da ilha), e todas as bandeiras do Chile foram retiradas e colocadas as bandeiras da Ilha em seus lugares. Conhecemos o centrinho, algumas lojas, as escolas de mergulho (mergulharíamos em alguns dias) e não lembro mais o que eu fiz. Lembro apenas que fiquei meio frustrado por não ter visto os grandes moai ainda. À noite, fomos tomar cerveja e comer um peixe num botequinho bem ajeitado no fim da rua principal (não lembro o nome, mas tinha banners da Heineken). Indicação da Joana. Segundo dia, tempo ainda não abriu, mas a chuva cessou, então vambora para o vulcão Rano Raraku – devagarinho, margeando a mesma costa do dia anterior e parando para ver os principais moai. Aí sim, fomos surpreendidos e recompensados!!! As estátuas são fenomenais, uma melhor e maior do que a outra... São quase 1000 espalhadas pela ilha, cada uma de um tamanho, e todas de costas para o mar (exceção ao Ahu Akivi, logo mais eu explico). Só aos pés do vulcão Rano Raraku são centenas de estátuas, inteiras, quebradas, de pé, caídas, grandes, pequenas, algumas gigantes ainda cravadas na parede da montanha. O lugar é um espetáculo. E dá pra entrar na cratera, onde há mais outra centena de moai e um belo laguinho – e o sol ali castiga, bom passar protetor. De frente para o Rano Raraku está, na minha opinião, a mais bonita paisagem da Ilha de Páscoa (e um dos lugares mais bonitos que eu já vi no mundo): o Ahu Tongariki, um ahu (uma espécie de “altar”) com 15 moai gigantes de costas para uma baía linda e encarando o vulcão. Bota no Google Imagens pra ter uma ideia do que é isso. Mas tem que ir lá pra ver... Não conseguimos voltar pra ver o sol nascer por detrás do Tongariki porque choveu nas manhãs seguintes, mas todos disseram que é fantástico. Um dia eu volto lá pra ver. Pra terem uma ideia, todos os dias nós paramos um pouco em frente ao Tongariki, fosse indo para algum vulcão, praia ou outra atração ou voltando. O lugar merece. Eu não lembro muito bem que dia que fizemos o que, mas basicamente conhecemos toda a parte “transitável” no segundo e terceiro dias. A maior parte do caminho é asfaltada em duas rodovias: uma que margeia toda a costa leste, saindo da cidade (Hanga Roa) até quase o norte da Ilha, e outra que volta do norte (praias de Anakena e Ovale) até a cidade, pelo meio da ilha em direção ao sul. A parte mais ao norte da costa oeste e toda a região noroeste (região chamada Teravaka, com uma montanha de mesmo nome) não tem estradas – apenas uma trilhazinha que não dá pra encarar nem de bike, apenas à pé, e que só um canadense doido do hostel que encarou. É o ponto mais alto da ilha e dizem que o melhor mirante (se bem que a vista do topo de Puna Pau também é show). Nessa área também não tem muita coisa restaurada – tem algumas centenas de ruínas de moai e ahus, pedras vulcânicas e mato. Nem praia tem. A região central também tem estradas asfaltadas até Hanga Roa e até a metade da costa oeste. Ali também tem muita coisa legal pra ver. No nordeste da ilha fica a península de Poike, com um pequeno ex-vulcão. Porém ali disseram que não vale muito a pena, porque o percurso gasta praticamente o dia todo e lá em cima não tem quase nada – só um buraquinho que a milhões de anos já foi um vulcão e umas poucas árvores endêmicas. Além de ser necessário alugar um jipão 4X4 e não ser nada recomendável ir sem guia. Decidimos que, se sobrasse tempo, iríamos no último dia – mas não sobrou. No outro dia fomos para o sul da ilha, do outro lado do aeroporto, conhecer o vulcão Rano Kao e a cidadela de Orongo. A cratera do Rano Kao é fantástica, mas ali os ventos são quase perigosos, de tão fortes. É importante sempre tomar cuidado e não chegar muito na beira – os ventos empurram com força lá em cima. Orongo era uma espécie de “cidade-alta” da ilha há milhares de anos – porém mais recente que as culturas que criaram os moai. A história diz até mesmo que existiam algumas guerras entre os povos de Orongo e os do resto da ilha. Ali era realizada a cerimônia do homem-pássaro (vale subir na plataforma da premiação final e encarar, lá de cima, o infinito de céu e mar e mais nada à sua frente, dá uma sensação meio doida). Esse povo morava numas casas parecidas com as dos Flintstones, e em algumas dá pra ver por dentro. Muito legal. Em volta do Rano Kao tem alguns moai e ahus indicados pelo mapa também, vale a pena pelo menos parar pra conferir. Enfim, passamos 4 dias explorando cada canto da ilha, entrando em cavernas, vendo moai, conhecendo praias, tomando cerveja e comendo empanadas. Vida boa! Vale conhecer as praias do norte e passar o dia lá. Anakena é praia praia mesmo – não se compara com as praias do Nordeste brasileiro, claro, mas ter um ahu (Ahu Nau Nau) com 5 moai no meio da areia, de frente para o quiosque, é por si só uma coisa única. Anakena é a praia da balada, com algumas barraquinhas, uma ferinha de artesanato e todo mundo entrando no mar e curtindo o sol. A estrada principal, que passa no meio da ilha, parece que só existe para ligar Hanga Roa à Anakena (de carro dá uma meia hora ou menos). Ali no norte, perto de Anakena, está o Te Pito O Te Henua (“O umbigo do mundo”), onde tem umas paradas magnéticas estranhas. Leve uma bússola e confira. Outra coisa legal da ilha são as cavernas (ana, em rapanui). Nenhuma é grande, mas o destaque fica para Ana Kakenga, um pouco ao norte da cidade, ainda na costa oeste. Em um dos dias fomos ao tão esperado mergulho. Há duas escolas para isso, uma vizinha da outra. A Rapanui Dive Center foi criada por um ex-tripulante do explorador Jacques Costeau, que ao passar pela Ilha se apaixonou pelo lugar e por ali ficou (ou algo assim, não lembro direito). A outra é de um nativo chamado Mike Rapu (pronuncia-se míque, não maique), um ex-recordista mundial de mergulho em apneia que é uma espécie de ídolo do povo da ilha. Seguindo dica da Geni no começo desse tópico, escolhemos a opção regional e partimos para “el buceo”. SENSACIONAL!!!! Água transparente, instrutor e instrutora atenciosos, água quente (!!). Muito show, parada obrigatória na Ilha. Acho que falta falar sobre Ahu Tahai, Ahu Akivi e as colinas de Puna Pau. O Ahu Akivi fica na região central e é o único em toda a ilha que está encarando o mar, e não de costas (apesar de ser também um dos raros moai que não estão nas praias nem no pé do vulcão). A explicação da Geni no começo do tópico é tão boa que nem vou me atrever a falar diferente aqui. Vale dar uma conferida. Ahu Tathai é uma área quase em Hanga Roa (a cidade), por isso ali rolam umas tendinhas de artesanato quando faz tempo bom. Preços melhores do que os absurdos cobrados no galpão de artesanato que fica na rua principal e só serve pra tirar dinheiro de turista. Ali está o único moai que ainda tem olhos (foram restaurados). Mas vale mais pelo lugar em si: era uma espécie de antiga “capital” da ilha, dá pra ver as casinhas estilo Flintstones mais “bonitas” e maiores da época, o antigo porto, a pracinha central... Tudo muito bem preservado ou restaurado. O Museu fica entre Tahai e Hanga Roa. Como comentei, estava rolando uma “revolución” e não conseguimos entrar. Penúltimo dia, devolvemos o carro e alugamos duas bikes pra fazer um role mais “denso” pela região central. Destaque aí para Puna Pau, as colinas avermelhadas onde eram feitos os pukaos (os “chapéus” que deixavam os moai ainda mais altos). O lugar é um mirante que oferece boa vista de toda Hanga Roa e do Tahai. Pedalar na ilha é bem gostoso (apenas um resfriado me atrapalhou no começo, mas aí o Naldecom “bateu” e o dia foi produtivo). Depois de Puna Pau, fomos ao estúdio do Mokomae (http://www.mokomae.cl) fazer minha nova tattoo, meu irmão se empolgou e fez uma também. Os nativos não são muitos de socializar com turistas – isso fica mais a cargo dos chilenos que colonizam a ilha – mas ali o cara ajudou a entender um pouco da cultura rapanui (é engraçado ver os nativos conversando em rapanui, a propósito: ninguém entende patavina). Vale a pena ainda: Ana Te Peu (caverna), Akahanga (moai), Vinapu (moai), Te Pito Kura (moai), andar bastante pela cidadezinha, porque tudo é meio espalhado e sem sinalização, mas tem ótimas lojas de souvenirs e artesanato, bons cafés, uns restaurantes escondidos legais e outros nem tanto, opções diversas de empanadas e um monte de coisa pra fazer que não tem no mapa nem nos guias. Na Ilha de Páscoa é importante “desbravar”, parar em cada lugar pra ver o que é, perder uns minutinhos onde houver opções turísticas, mesmo que não pareçam opções turísticas à primeira vista. À noite não tem muita coisa pra fazer, mas dá pra se divertir mesmo assim. Fora esse barzinho que mencionei acima, tem dois restaurantes ali perto, na rua beira-mar (um ao lado das escolas de mergulho e outro um pouco antes), e um terceiro passando as escolas de mergulho, onde acontecem uns shows folclóricos (exemplo aqui ). Na rua principal (onde estão as melhores opções) tem umas lojinhas com mesas na frente que também vendem cerveja e empanadas. Numa delas descobrimos que era a “balada” dos nativos, e ali ficamos a convite de duas chilenas que trabalhavam na loja. Mas lá pela meia-noite uns nativos chegaram e, como na ilha não tem muita mulher, o tempo meio que fechou e achamos melhor ir embora antes de arrumar confusão com os locais. Ao lado do campo de futebol também tem uma tenda com três ou quatro quiosques, mas fecham cedo – nem por isso deixam de ser boa opção para um ceviche com cerveja. No dia de ir embora, uma última passeada pela rua principal e em seguida a dona do hostel nos levou até o aeroporto. Ali vimos a recepção típica de nativos tocando violão, percussão e uma espécie de viola que eles têm lá (não me lembro o nome), logo que os passageiros desembarcaram de um avião que chegou do Taiti (quando chegamos não havia, mas disseram que isso rola quase todo dia). O voo de volta seria da Ilha para Santiago e de lá para Lima e em seguida para São Paulo. Acontece que quando chegamos em Santiago descobrimos que o voo Lima-SP foi cancelado pela LAN e nem chegamos a embarcar para Lima, portanto. Muito estresse e discussão no aeroporto e, duas horas depois, conseguimos um voo na manhã seguinte, direto de Santiago para SP, mas a pernoite no Holiday Inn em frente ao aeroporto. Saiu até melhor do que a encomenda. Mas a maior parte dos outros passageiros desse mesmo voo se ferrou e teria que esperar muito mais tempo até conseguir outro voo. Por fim, a Ilha de Páscoa é um dos lugares mais fantásticos que já visitei. Isolado totalmente do mundo, viu crescer ali povos com culturas únicas sem semelhante no planeta. E talvez esse isolamento tenha sido responsável por isso, vai saber. Na volta, baixei o jogo Ducktales 2 pra levar o Tio Patinhas de volta ao continente perdido, entrando pela Ilha de Páscoa. Um agradecimento merecido a quem me inspirou quase 20 anos atrás. Iorana!!!
  2. Eu estava na pilha pra ir em fev/2011... mas pelo que estou lendo aqui, ja estou comecando a mudar o roteiro, e nem passar pela Jamaica...
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